Eu sei um pouco o que é morrer. Trabalho há anos à beira das camas onde a vida se despede e aprendi que a morte quase nunca chega de uma vez: vem por partes.

Primeiro morre o que poderia ter sido, depois a certeza e, por fim, o corpo, quase sempre a parte menos importante da despedida.

Talvez por isso, quando olho um jogo de futebol, não vejo apenas um jogo. Vejo a coisa mais antiga do mundo encenada em 90 minutos: gente lutando para viver, gente aprendendo a morrer. Perder é morrer, vencer é viver, e entre as duas cabe tudo o que nos faz humanos.

O meu país sabe disso na carne. Em 1950, no Maracanã lotado, 200 mil pessoas viram a vida escapar entre os dedos, e ainda assim o Brasil não morreu. Levantou. Oito anos depois, daquele mesmo chão de luto, ergueu a primeira estrela.

Ninguém ressuscita sem antes descer ao fundo, e não há vitória que não tenha passado por alguma morte.