Memórias de 1994 e a dor da ausência do Baixinho em 1998 ajudam a explicar por que, apesar das decepções recentes, torcer pela seleção brasileira continua sendo um ato de paixão, nostalgia e identidade nacional 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Decoração para a Copa do Mundo nas ruas da cidade. Rua Pereira Nunes, na Tijuca — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 22:19 Paixão dos Brasileiros pela Seleção Persiste Apesar das Decepções O artigo destaca a paixão inabalável dos brasileiros pela seleção, mesmo diante das decepções recentes. Memórias de 1994 e o polêmico corte de Romário em 1998 reforçam essa ligação emocional. Romário, lesão e corte às vésperas da Copa de 1998, gerou comoção e teorias conspiratórias. Apesar dos desafios e desilusões, torcer pela seleção é um ato de identidade nacional e nostalgia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No Aterro do Flamengo, uma multidão se espremia para ver os craques campeões do mundo de 1994. Fã do lateral-esquerdo Branco, um dos heróis do Tetra, insisti que minha mãe me levasse. Queria acenar, ver de perto, curtir um pouco mais aquela conquista. Pelo rádio, ouvíamos o passo a passo da caravana. “Os jogadores acabaram de pousar no Galeão”, informava a Rádio Globo. Automaticamente, cronometrávamos que em 40 minutos estariam ali. “O repórter da Tupi acabou de dizer que eles já estão no carro de bombeiros”, avisou um desconhecido. Esperamos horas. Quando o comboio passou, fiquei semicongelado. Aos 9 anos, só me restou berrar “Branco, Branco, Branco”. Evidente que não era especificamente para alguém, mas ele acenou em minha direção. Até hoje não esqueço. Conselheiros do TCE-RJ receberam R$ 11,8 milhões em um ano; salários chegaram a quase R$ 3 milhões em um único mêsMuseu do Amanhã recebe Prêmio Faz Diferença 2025 na categoria Rio: 'Já fomos reconhecidos em todo mundo, mas aqui é especial' Na casa da minha avó Victória, no centro de Petrópolis, a família estava toda reunida para o jogo contra a Holanda. “É pedreira”, repetia meu avô Walter. Nem a cervejinha acalmava os ânimos dos adultos. Quando fizemos dois a zero, parece que relaxaram. Até quem não bebia, bebeu. Como sabemos, os europeus empataram e aí virou “teste para cardíaco”. Nervoso, saí da sala e fui para o quarto. Sozinho. Quando o lateral Branco, então jogador do Fluminense, cavou a falta e pegou a bola, juntei meus dedos em sentido de reza. Deu certo. O golaço fulminante fez com que eu berrasse pelo apartamento “É do Fluminense. É do Fluminense”. Na sala, os adultos se abraçavam. Infelizmente, a maioria deles não está mais por aqui. Perto do boteco Porto Fino, no Flamengo, durante anos figurou pintado em um murinho o mascote da Copa de 1990 – um boneco com as cores da Itália e com uma bola no lugar da cabeça. Era passar por ali e lembrar o jogo em que merecíamos ter tido melhor sorte. Comparada à de hoje, a seleção de 90 era muito melhor. Em 1994, às vésperas do torneio mais importante do futebol, o muro foi repintado. As ruas que desembocam na Senador Vergueiro também receberam os desenhos em verde e amarelo. Por mais que não acreditássemos tanto no time, Brasil é Brasil. Por esses e outros motivos, é impossível torcer contra a seleção. Dá raiva? Dá. Os não convocados de 1998 são, disparado, melhores que esses pernas de pau? São. É frustrante ver nossos jogadores perderem para a Bolívia e ainda publicarem propaganda de Bet em seguida? É. Mas não dá para torcer contra. Se levantar o caneco, o que acho perto do impossível, estarei no Aterro. A diferença é que sem berrar pro Branco. Romário: o corte que marcou a Copa de 1998 Poucos episódios da história da seleção brasileira provocaram tanta comoção quanto o corte de Romário às vésperas da Copa do Mundo de 1998. Principal estrela do título conquistado nos Estados Unidos, quatro anos antes, o atacante era uma enorme expectativa de gols na Copa da França. Durante a preparação, Romário sofreu uma lesão na panturrilha. A origem do problema virou tema de debate. Uma das versões mais difundidas apontava o futevôlei praticado nas praias do Rio de Janeiro como causa da contusão. Enquanto médicos e especialistas divergiam sobre o tempo necessário para recuperação, o atacante insistia que poderia se recuperar a tempo de disputar o torneio. A comissão técnica não concordou. O corte foi anunciado e o choro de Romário, transmitido pela televisão, comoveu milhões de brasileiros. A decisão gerou revolta entre torcedores e abriu espaço para discussões que atravessariam toda a campanha da seleção. A polêmica ganhou ainda mais força quando, pouco depois do início da Copa, Romário voltou aos gramados pelo Flamengo. Marcou gols e demonstrou condições físicas que, para muitos, indicavam que poderia ter ajudado o Brasil na competição. A derrota por 3 a 0 para a França na final ampliou as controvérsias. O fato de Ronaldo ter atuado mesmo após sofrer uma convulsão horas antes da partida alimentou teorias conspiratórias. Entre elas, a de que o título teria sido vendido e a de que Romário teria sido afastado porque não aceitaria participar de um suposto acordo para favorecer os franceses. Nunca houve provas que sustentassem essas acusações. A relação entre Romário e a comissão técnica continuou estremecida. Em 1999, durante a inauguração de uma boate na Barra da Tijuca, o atacante provocou Zagallo e Zico publicamente. Acabou processado pelos dois e perdeu as ações na Justiça. O capítulo final dessa história veio em 2002. Apesar da pressão popular e da grande fase vivida pelo jogador, Romário não foi convocado por Felipão para a Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão. O Brasil conquistaria o pentacampeonato sem aquele que, para muitos torcedores, foi o personagem mais marcante das polêmicas da seleção na virada do século. Que falta faz Romário. Se bobear, teria vaga hoje na seleção.