Depois de mais uma eliminação precoce e de quase três décadas sem título mundial, talvez o primeiro passo para reconstruir a seleção seja abandonar a nostalgia e reconhecer a nova realidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Brasil x Noruega - Torcida na Arena Copacabana - Foto Gabriel de Paiva (2) — Foto: oglobo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/07/2026 - 01:45 Brasil Enfrenta Realidade: Reconstruir Seleção sem Nostalgia Após mais uma eliminação precoce e quase três décadas sem título mundial, o Brasil precisa reconhecer que não é mais protagonista no futebol. A nostalgia deve ser deixada de lado para reconstruir a seleção. A atual Copa sem o Brasil reforça essa realidade, e talvez a aceitação desse novo papel seja o primeiro passo para a mudança, abandonando o saudosismo e encarando a realidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Durante esta semana, usei todas as camisas do Brasil que tinha tirado do armário para a Copa. Escrevo esta coluna com a última, a azul com o símbolo do Michael Jordan, que ganhei de presente da minha mulher. Amanhã vão todas para a lavanderia e não sei quando volto a usá-las, porque daqui a pouco começa o período pré-eleitoral, e ainda é preciso esperar um pouco para saber se a mistura de política e futebol que passa pelo uniforme já ficou para trás (espero que sim). A motivação para essa decisão é parecida com a de um meme que recebi: “vou fazer churrasco em todos os dias de jogos que a seleção ainda teria de disputar, não vou me prejudicar por causa dos outros.” Está longa a Copa sem o Brasil. E não é só porque a eliminação veio antes — sair nas oitavas, nesta edição, equivale, em número de jogos, a ter ido embora nas quartas em 2018 e 2022. Nem só por termos contratado o maior período sem títulos desde o primeiro, em 1958 — agora serão 28 anos, contra os 24 entre o tri de 1970 e o tetra de 1994. Talvez seja uma mistura das duas coisas, a triste constatação de que quando chega a fase decisiva nós já sabemos que vamos precisar escolher alguém para torcer contra (a Argentina pela rivalidade, a França por ser nosso algoz) ou a favor (como países sem tradição no futebol precisam fazer, e muitos nos escolhem). Durante esta Copa, disse a meu filho que estava curtindo o papel de zebra. O Brasil chegou tão desacreditado, depois do ciclo bagunçado, que qualquer resultado positivo era mais do que a gente esperava. Tive um medo sincero de uma eliminação inédita para o Japão, numa fase que nem existia antes. E até estava confiante contra a Noruega, mas ver o Haaland do outro lado era suficiente para saber que tudo podia dar errado. E deu, mais uma vez contra a primeira seleção europeia que enfrentamos numa partida eliminatória — uma rotina que se repetiu em todas as edições depois do penta de 2002. Foi então que ouvi uma frase assustadoramente convincente, dita num quadro de humor, o “Falha de Cobertura”, pelos personagens Craque Daniel e Professor Cerginho, interpretados por Daniel Furlan e Caíto Mainier: “É melhor a gente aceitar que é ruim!” Em meio ao Febeapá quadrienal que se segue a uma eliminação do Brasil, que oscila entre a busca de um detalhe capaz de explicar tudo (Vini Jr. deveria ter batido o pênalti? Neymar deveria ter jogado mais? Neymar não deveria ter jogado? Faltou raça?) e o clamor urgente de mudar toda a estrutura do futebol brasileiro nos próximos quatro anos, foi na falsa indignação dessa paródia de mesa redonda que se chegou mais perto de um caminho a seguir. Para toda uma geração de brasileiros, semifinal de Copa do Mundo só foi lugar da seleção uma vez — para levar de 7 a 1. Durante quase todo esse período, o que nos restou foi aplaudir Messi e Mbappé, os jogadores que dominaram a competição e estão pulverizando recordes nesta edição, abalando até o legado de Pelé. Se “aceitar que é ruim” parece exagero humorístico, já passou da hora de aceitar que não somos mais protagonistas. Que tal, então, partir desse princípio para o próximo ciclo?
Já passou da hora de aceitar que a seleção brasileira não é mais protagonista
Depois de mais uma eliminação precoce e de quase três décadas sem título mundial, talvez o primeiro passo para reconstruir a seleção seja abandonar a nostalgia e reconhecer a nova realidade
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