Não tenho ideia das datas dos jogos do Brasil nesta Copa do Mundo. Tirando o famoso jogador bolsonarista e sonegador de impostos, não sei nada sobre a escalação. Fico triste com o tamanho do meu desinteresse. Eu era do tipo que assistia aos jogos ajoelhada no meio da sala, ainda suja com a tinta verde e amarela usada para pintar a rua da minha infância.
Era do tipo que não dormia, não almoçava, destruía as unhas das mãos, chorava abraçada a primos, amigos e namorados. A soma das minhas memórias de 11 Copas do Mundo oferece um banquete de beleza, drama e comicidade. Meus avós se beijando na boca com desajeitada intensidade (aparentemente isso só acontecia a cada quatro anos), derrubando os óculos um do outro, minha grande amiga da faculdade embrulhada na bandeira com dois terços no pescoço, o show de palavrões saindo da boca de crianças muito pequenas e os adultos aquiescendo: "Ah, é Copa do Mundo".
Onde foi parar essa paixão? Se perdeu quando deixamos de ter ídolos nacionais e de ao menos conhecer os jogadores que atuam em clubes europeus desde muito jovens? Se perdeu após escândalos da CBF ou no 7 a 1 contra a Alemanha?
Se perdeu em alguma campanha publicitária milionária do Neymar (não sou contra dinheiro, mas dá raiva quando o capitalismo alimenta a extrema direita) ou ao observamos, incrédulos, aquele bando de trouxas, na avenida Paulista, usando as cores da bandeira para defender golpista pró-tortura?
















