Ainda há controvérsias sobre qual foi a maior seleção brasileira de todos os tempos, se a de 1958 ou a de 1970. Ambas foram espetaculares e se tornaram mitológicas, mas a segunda leva vantagem pelo fato de a Copa no México ter sido transmitida ao vivo pela TV.

Estão aí, à disposição de quem quiser rever infinitamente, imagens nítidas das seis partidas vencidas, detalhes dos lances importantes, clipes com todos os 19 gols marcados e os sete sofridos, além dos dois que Pelé não fez —casos raros em que genialidade e beleza se harmonizam com o erro.

Estou entre os 90 milhões em ação que testemunharam essa glória do futebol brasileiro. Tinha nove anos em junho de 1970 e vi os jogos do Brasil diante de um aparelho de TV em preto e branco. Não me lembro de chuvisco na tela nem de um pedaço de Bombril na antena, sinais de que a transmissão na rua Cinco de Julho, em Copacabana, não era das piores.Passados 56 anos, algumas imagens ainda me deixam com lágrimas nos olhos: o gol de Jairzinho, finalizando jogada mediúnica de Tostão, na partida contra a Inglaterra; a emoção de Gerson depois do gol de Pelé na final contra a Itália; a obra de arte coletiva concluída por Carlos Alberto nessa mesma partida.