Série no streaming faz umn golaço estético ao refilmar lances de 1970 'A Saga do Tri': Zagallo (Bruno Mazzeo), Pelé (Lucas Agrícola) e João Saldanha (Rodrigo Santoro) — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 20:04 "Brasil 70: Netflix Revive Emoção da Copa de 1970 com Santoro" A série "Brasil 70 — a saga do tri" no Netflix conquista crítica ao refilmar momentos icônicos da Copa de 1970, destacando-se pelo apelo estético e emocional. Com atuações notáveis de Rodrigo Santoro e Bruno Mazzeo, a produção celebra a memória épica do futebol brasileiro. Em tempos de Copa, a paixão pelo esporte une o país, mesmo em um cenário global conturbado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Nem todo mundo gosta de futebol. Para quem gosta, os próximos 45 dias são um cruzamento de paraíso com Disneylândia. É Copa do Mundo, amigo, informa nosso Galvão Bueno interior, eletrificando cada poro. Tudo bem que essa Copa é diferente, tem países demais e qualidade de menos. Mas e daí? Copa é aquele mês e meio em que o tempo se dilui em intervalos de 90 minutos nos quais comemos, bebemos e respiramos futebol. Dançamos cantando em vários idiomas, gargalhamos chorando e nos debulhamos sorrindo. Já vi várias Copas de perto. É uma experiência única — que não tem preço. Essa talvez seja um pouco diferente. O mundo mudou tanto nos últimos dez anos que as duas últimas edições seriam irrealizáveis. A Rússia (2018) se tornou um pária esportivo ao invadir a Ucrânia. O Catar (2022) estaria no meio do fogo cruzado entre EUA e Irã. Com fins adulatório-diplomáticos, o presidente da FIFA, Gianni Infantino resolveu inventar um prêmio da paz da FIFA para Donald Trump em dezembro. A taça, pouco bela, explodiu rápido. Dois meses depois, Trump atacou o Irã. O Irã disse que não ia, mas voltou atrás. Agora vai — só que terá que se hospedar no México, mesmo com três jogos nos EUA. Será o primeiro caso de país atacado jogando uma Copa no atacante — com muitas metáforas disponíveis. Infantino é tão bom de lábia que é capaz de transformar esse faláfel em esfirra e fazer da lambança diplomática um discurso. No Brasil, Copa sempre foi um evento mobilizador. Desde 1970, quando os jogos passaram a chegar ao vivo pela TV, o país para para ver a Seleção. Nesse tempo de mídia fragmentada, essa Copa já está sendo diferente. Ela acontece e ecoa nos celulares, nas redes sociais, nos aplicativos, na voz dos criadores de conteúdo. A Globo vai exibir um especial sobre a preparação (“Vai Brasil”) e uma produção com as mulheres dos jogadores. Mas coube a uma empresa americana, a Netflix, o maior sucesso de crítica dessa pré-temporada: a superprodução “Brasil 70 — a saga do tri”. Com atuações incríveis dos ex-globais Rodrigo Santoro (como João Saldanha), Bruno Mazzeo (como Zagallo) e Marcelo Adnet (como o locutor fictício Eusébio Teixeira), a série vence de forma emocionante o dificílimo desafio de reproduzir futebol cinematograficamente. A refilmagem dos lances de 1970 é um golaço estético. Ela consegue traduzir artisticamente a memória épica construída pelos cronistas. São lances que geraram crônicas, poemas, até livros. Vale descrever a recriação do primeiro quase gol de Pelé: o chute do meio-campo que surpreende o goleiro tcheco Viktor adiantado. São cinco segundos em vinte. Clodoaldo desarma, Pelé vislumbra. A câmera enxerga. Pelé prepara. Pelé chuta. A bola sobe. A câmera acompanha. Zagallo abre a boca. A bola passa na frente do sol. O país para. Uma parábola. Viktor corre desenganado. O torcedor geme. Jairzinho sorri. Saldanha se encanta. A bola clássica dos gomos pentagonais começa a cair. E cai. Perto. Muito Perto. Raspando. É uma crônica visual absolutamente bela. O quase-gol talvez seja uma obra-prima ainda maior — por imperfeita. É tudo aquilo que poderia ter sido e que não foi — mas será depois. Será muito. Será pra sempre. A seleção de 1970 materializou o Brasil como hipótese. O Brasil encantador, não o corrupto. O Brasil antropofágico, não o ressentido. O drible como recurso, não como autoengano. Ao rever esses lances, sentimos porque a camisa amarela exorciza nossas contradições, embaralha nossos conflitos e ilumina o que temos de melhor. Você pode torcer pro time que escolher, pro político que quiser... mas agora é Copa, amigo. É hora do radinho mental, da telinha emocional, de ligar nossos 200 milhões em ação... desse breve momento em que, mesmo na pior fase, nos sentimos melhores do mundo.