Ao dar vida ao goleiro Félix, ator revisitou os bastidores da conquista do tricampeonato e refletiu sobre os personagens que marcaram a história além dos holofotes Hugo Haddad revela o que descobriu ao viver personagem marcante de 'Brasil 70' — Foto: Divulgação Fabio Audi RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 19:44 Hugo Haddad explora complexidade de Félix em "Brasil 70" da Netflix Hugo Haddad, ator e diretor, explora a complexidade emocional do goleiro Félix na minissérie "Brasil 70: A Saga do Tri", da Netflix. A produção revisita a conquista do tricampeonato mundial de 1970, unindo memória afetiva e contexto político. Hugo reflete sobre a pressão e confiança enfrentadas por Félix e destaca a importância de reviver histórias menos lembradas, como a do goleiro, em um cenário de expansão das produções brasileiras. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em um momento em que produções brasileiras ganham cada vez mais espaço nas plataformas internacionais, a minissérie "Brasil 70: A Saga do Tri" revisita um dos capítulos mais emblemáticos da história do futebol sob uma perspectiva que vai além do campo. Inspirada na campanha do tricampeonato mundial de 1970, a produção da Netflix combina memória afetiva, contexto político e bastidores humanos de uma equipe que se tornou símbolo nacional. No elenco, o ator e diretor Hugo Haddad interpreta o goleiro Félix, figura central daquela conquista histórica. Conhecido por sua trajetória atrás das câmeras, Hugo vive um movimento de transição ao ocupar também o centro da cena. A mudança, no entanto, não representa ruptura, mas continuidade de um mesmo olhar sobre narrativas e comportamento humano. "Foi um movimento muito especial porque aconteceu dentro de um projeto que faz parte do imaginário de milhões de brasileiros. A seleção de 70 ocupa um lugar quase mítico na nossa memória coletiva, mas a série busca mostrar também o lado humano daqueles personagens. Eu passei mais de dez anos trabalhando principalmente nos bastidores, dirigindo documentários e observando histórias de outras pessoas. A direção me ensinou a escutar e a olhar para esses detalhes humanos. Quando cheguei à atuação, senti que estava investigando as mesmas questões por outro caminho: em vez de observar uma história de fora, eu precisava vivê-la por dentro", conta ao GLOBO. Hugo Haddad explica por que Félix é um dos personagens mais fascinantes de ‘Brasil 70’ — Foto: Divulgação Fabio Audi A relação com o futebol, segundo o ator, sempre foi distante, o que acabou se tornando ponto de partida para a construção do personagem. A imersão no universo da Seleção de 1970 revelou não apenas a dimensão esportiva da conquista, mas também a complexidade emocional dos atletas. "Minha relação com o futebol sempre foi curiosa. Quando era criança, eu não era exatamente um craque e quase sempre acabava no gol. Na época isso parecia uma punição, mas hoje percebo que aquele lugar me ensinou algo importante: o goleiro participa do jogo de uma forma diferente. Ele observa tudo, carrega responsabilidades e convive constantemente com a possibilidade do erro", destaca. Ao interpretar Félix, Hugo se deparou com um personagem marcado por pressão pública e, ao mesmo tempo, confiança interna dentro do grupo. "Eu descobri um homem que viveu sob enorme pressão, foi muitas vezes questionado pela imprensa, mas manteve a confiança dos companheiros e da comissão técnica", detalha. A construção envolveu pesquisa extensa, entrevistas e relatos de familiares do ex-goleiro. "Uma das coisas que mais me marcou foi o que a filha dele, Lígia, contou. O Zagallo confiava tanto no Félix porque sabia que, mesmo depois de cometer um erro, ele tinha a capacidade de recuperar a confiança imediatamente e fechar o gol durante a própria partida", relata. De diretor a protagonista: Hugo Haddad vive personagem histórico em série da Netflix — Foto: Divulgação Fabio Audi A série também revisita o contexto histórico do período, marcado pela ditadura militar, ampliando a leitura sobre o momento vivido pelo país e pela seleção. Para o ator, esse recorte ajuda a compreender as camadas que envolvem a narrativa. "Quando pensamos no Brasil de 1970, fora do contexto do futebol, imediatamente lembramos da ditadura militar. Mas, curiosamente, quando pensamos na Copa daquele ano, muitas vezes não fazemos essa conexão. A série surge em um momento importante justamente para lembrar que essas histórias aconteceram ao mesmo tempo", afirma. Hugo cita o isolamento vivido pelos jogadores durante a preparação e os efeitos emocionais desse distanciamento. "Eles passaram meses longe de casa, sem contato com suas famílias e sem saber exatamente o que estava acontecendo no país. Isso fazia parte de uma estratégia para que não fossem afetados pelo contexto político", explica. No centro da narrativa, além dos nomes consagrados, está a tentativa de recuperar figuras menos lembradas da campanha, como o próprio Félix. "As pessoas lembram do Pelé, do Rivelino, do Tostão, do Gerson, mas poucos sabem quem era o goleiro daquela equipe. Para mim, houve uma responsabilidade muito grande em apresentar esse personagem para uma nova geração", acrescenta. Hugo Haddad fala sobre Félix e os bastidores da série que revisita a Copa de 1970 — Foto: Divulgação Fabio Audi A experiência reforçou o diálogo entre direção e atuação em sua trajetória. Hoje, Hugo enxerga as duas áreas como extensões de uma mesma investigação criativa. "Hoje não vejo essas áreas como caminhos separados, mas como formas diferentes de investigar a mesma coisa: o comportamento humano e a construção de narrativas", diz. Em meio à expansão das produções brasileiras no mercado global, ele acredita que histórias locais podem alcançar públicos amplos quando partem de experiências verdadeiras. "Quanto mais específica e verdadeira é uma história, mais universal ela pode se tornar", reflete. Com novos projetos no horizonte, o foco atual segue na atuação, sem abandonar o repertório construído nos bastidores. "Meu objetivo é aprofundar cada vez mais minha trajetória como ator. É através dos personagens que tenho encontrado as perguntas mais interessantes", conclui.