Após a derrota do Brasil no domingo (5), um amigo provocador veio me dizer que a seleção brasileira de 2026 precisava jogar bola como a seleção da Copa do Mundo de 1970. Eu discordei na hora, mas sem entrar muito na polêmica.

Disse para ele, trocando em miúdos, que jogo é jogo, Copa é Copa, independentemente do período em que acontece. Além do mais, é inegável o talento dos jogadores atuais, cujos méritos futebolísticos fazem parte do lugar onde estão —e dos altos salários que ganham. Mas é inquestionável o peso da camisa canarinho.

O futebol se tornou um dos mais importantes ativos financeiros no mundo, transformando a vida de muitas pessoas comuns, sem distinção pelo seu grau de escolaridade ou cor da pele, mas pelo que fazem, em magia, com os pés.

A derrota para a Noruega não diz respeito às quatro linhas em que nossa seleção estava circunscrita. Diz sobre nós, enquanto nação. Diz sobre a forma romântica que, 56 anos depois de sermos campeões no México, ainda hoje queremos reproduzir gestual, jogadas, dribles esportivos —de um tempo em que, naquele mundo analógico, se jogava para a nação, não para redes sociais.

Este é o primeiro ponto. Mas não só. Existem outros. Os jogadores de hoje, os que foram parados no mata-mata pelos vikings do futebol, não vivem a realidade brasileira; a maioria sequer mora no Brasil. Estão tão distantes de nós, os mortais terráqueos, quanto estão cada vez mais longe de voltarem a ser chamados de "melhores do mundo".