Brilhe, menino. E não leve nunca uma mala com R$ 21 milhões em relógios para uma Copa do Mundo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Contra o Egito, último amistoso da Seleção, Endrick fez o gol decisivo da vitória. Estrela? — Foto: Reprodução “Pai, eu quero comer. E não tinha nada na geladeira, não tinha nada no armário. Ele pedindo, pedindo. Filho, eu não tenho nada. Aí eu comecei a chorar, ele chorou. E ele falou. Pai, pode deixar que eu vou ser jogador de futebol e vou tirar a gente dessa dificuldade”. A fala, chorando ao lembrar, é de Douglas, pai de Endrick, 19 anos, atacante no Lyon, emprestado pelo Real Madrid, e agora na Seleção brasileira. Quando vejo esse menino jogar e falar, até me arrepio. Torço muito por seu sucesso. E para que continue com esse jeito humilde e honesto de ser. Torço sobretudo para que nunca, jamais, arrume uma mala com R$ 21 milhões em relógios, para levar a uma Copa do Mundo. Essa mala é um vexame. Não tenho nada contra quem queira colecionar Rolex. Mas daí a ostentar desse jeito... Torço para que Endrick não simule faltas, não ganhe com bets. Que não se desperdice em baladas. Que não seja acusado de abusos sexuais. Que não se torne arrogante e fútil. Endrick Felipe Moreira de Sousa Pessoa nasceu em 21 de julho de 2006. Em Taguatinga, Distrito Federal. Cresceu em Valparaíso, Goiás. Entrou num campo sintético aos 4 anos de idade. O pai teve que insistir. A escolinha só treinava garotos de seis anos pra cima. A primeira técnica de Endrik foi mulher, Marília Rocha. “Quando eu o vi treinando, era tão firme, eu disse, pode deixar esse menino aqui que eu vou adotá-lo”. Entrou no Brasília Futebol Academia. Passou na peneira do São Paulo com 8 anos. O pai, Douglas, pediu ao clube emprego ou moradia, para acompanhar o filho no CT de Cotia. Não conseguiu. Botou um vídeo com lances do filho na internet. As imagens chegaram ao Palmeiras. Chamaram. “Pedi ao clube a mesma coisa que pedi ao São Paulo: moradia ou emprego. Minha esposa foi na frente, com a moradia. E seis meses depois, eu fui e o Palmeiras me empregou no CT da Barra Funda, na limpeza”. Como zelador, Douglas viu o filho brilhar em campo. Endrick foi o grande destaque na conquista do título inédito da Copinha. Ganhou manchetes na imprensa internacional. A nova joia. Nasce uma estrela. Despertou interesse de gigantes do futebol europeu. Tinha 15 anos, ainda sem idade para assinar contrato. O Real Madrid, o Chelsea, o Arsenal, o Liverpool, o Barcelona, todos contataram o pai de Endrick. Precisou aguardar a maioridade. Logo ao completar 18 anos, assinou contrato com o clube espanhol. Por seis temporadas, até junho de 2030. Endrick se frustrou. Sofreu lesão na coxa direita, ficou no banco de reservas. Mas deu a volta por cima, no francês Lyon. O Real Madrid já deixou claro. Volta depois da Copa para a Espanha. Não sei – ninguém sabe – como Endrick jogará pela Seleção. O que ele mostrou contra o Egito promete. Mas falo aqui do Endrick ser humano. Suas entrevistas revelam um rapaz tímido. Ou “tranquilo”. Assim se define. Dizia que queria comer mais hambúrguer e açaí do que a rotina de atleta permite. Quando tinha 17 anos, ainda sonhando com a Europa, falou: “É óbvio que a Copa do Mundo é o que eu quero jogar na minha vida. Se Deus quiser, quero conquistar o hexa para o Brasil e deixar todos felizes. Vou agradecer muito se isso acontecer um dia”. Endrick tinha receio da fama e da expectativa: “Ah, cara, não vou mentir. Eu preferiria ter muito menos visibilidade. Aí eu ia evoluir bem.” Hoje, com 19 anos (completa 20 em julho agora), a vida pessoal de Endrick está exposta nas redes sociais. É mais visível do que nunca. Está apaixonado. É casado com uma influenciadora, Gabriely Miranda. Anunciaram em abril a gravidez do primeiro filho. Endrick foi batizado como evangélico em Madri, há dois anos. O roteiro de vida desse menino, até agora, é muito semelhante ao de tantos ídolos do futebol brasileiro. Meu temor é daqui pra frente.
Endrick, não se inspire em Neymar!
Brilhe, menino. E não leve nunca uma mala com R$ 21 milhões em relógios para uma Copa do Mundo












