Líder de uma das bandas mais influentes do rock paulistano, Oswaldo Vecchione, 78, sempre se exibiu nos palcos com um estilo avesso aos padrões tradicionalistas. Mas levou 60 anos para criar coragem e fazer sua primeira tatuagem. Estampou no braço direito o baixo em formato de estrela, instrumento que o acompanha até hoje.

Não parou mais. Ele cortou as mangas de suas camisetas e passou a se apresentar com a banda de rock Made in Brazil vestindo regatas para exibir suas novas marcas na pele. Hoje, o músico já acumula 17 tatuagens. "Elas me trouxeram uma liberdade nova."

A trajetória de Vecchione ilustra algo que os consultórios de geriatria têm registrado com frequência: uma geração de pessoas acima dos 60 anos que reorganizou prioridades e passou a tomar decisões que, em outras épocas, seriam consideradas fora do lugar.

Esse movimento ganhou nas redes sociais o nome de Nolt, acrônimo para new older living trend (nova tendência de viver a maturidade, em tradução livre). Envelhecer não é um problema, até porque é inevitável. O que muda é como lidar com a passagem do tempo.

Foi o que aconteceu com Vecchione. "Senti algo que talvez eu mesmo reprimi por décadas: sempre achei tatuagem bonita, convivi com muitos músicos e fãs que as tinham, mas nunca tive a iniciativa de fazer uma. Agora não quero mais parar."