Manuel Caldas tem 100 anos e teima em cuidar diariamente de tudo o que é seu, enquanto Fátima Pinto renovou a carta de condução dias antes de fazer 90 anos e assegura que pensa como se tivesse 25 anos. A Lusa foi à procura de idosos independentes e encontrou dois exemplos de autonomia, duas pessoas que não se confinam à própria casa, mas antes insistem em fazer vida todos os dias, ou quase, no exterior.Manuel Caldas recebeu a reportagem da Lusa após ter medido a tensão arterial num anexo da sua casa em Matosinhos. "Faço isto de três em três dias", disse enquanto segurava um caderno A4 com dezenas de nomes e contactos de familiares, a quem liga sempre, no dia de aniversário, do seu telemóvel.Perguntado sobre como é o seu quotidiano, usou das palavras para responder com a mesma ligeireza com que caminha, sobe e desce escadas, explicando que é o gato, o Pantera, quem o acorda.Depois disso, contou, não pára, ocupando as horas seguintes entre fazer a barba, regar os jardins, tratar da horta, dar umas voltas, ir ao barbeiro, ir ao banco, classificando essa disponibilidade e mobilidade como sendo, para si, "a vida normal", num rol de actividades diárias que inclui idas "aos correios e à farmácia".