Ouço falar de algo que preocupa os especialistas: o aumento do alcoolismo em idosos. Segundo os números, um terço das internações em clínicas por consumo de álcool se compõe agora dos acima de 70 anos. As famílias, como sempre, não sabem o que fazer e atribuem a adesão à birita por seus mais velhos à "terceira idade" ou mesmo a uma tardia sem-vergonhice. É um erro.

Por que alguém que levou a vida bebendo "moderadamente" e sendo a alegria da festa parece perder o controle em idade avançada? Porque esse aparente controle nunca foi exercido pela vontade dele, mas pelas solicitações e exigências da vida profissional. Elas o faziam manter a pontualidade, a postura e a sobriedade nas atribuições do escritório. Como não tinha tempo ou oportunidade para beber além de certo limite, ele não chegou a criar dependência. Anos depois, aposentado, mandado para casa e sem muito que fazer, uma ou outra dose fora de hora pode ter-lhe parecido uma opção atraente –e, com a repetição, sujeita a evoluir para uma compulsão que, até então, não tivera condições de se desenvolver.

Evolução que não levará tanto tempo como a de quem começa a beber em jovem. Entre as inconveniências da idade, está a de que o organismo não metaboliza o álcool com a rapidez com que, no passado, se podia mandá-lo para dentro —álcool e velhice decididamente não se dão bem. Acrescente a isso as outras mazelas que costumam atingir o idoso levando-o a um enorme consumo de remédios, incluindo os benzodiazepínicos para depressão e insônia –que muitos médicos são pródigos em receitar e nem tão atentos para retirar antes que produzam dependência.