No meu alcoolismo ativo, nunca dei a menor bola para dinheiro. Mesmo tendo saldo, não pagava nada em dia: simplesmente ignorava as contas. Não tinha o mínimo controle. Era comum, nos bares, pagar a conta para todo mundo. Bastava beber que eu virava milionária. Quem sentasse comigo tinha a sorte de ter o consumo pago por mim. E, quanto mais eu bebia, mais eu esbanjava.
Após as bebedeiras, não queria nem olhar o extrato do banco. Por mais de uma vez fiquei com o nome sujo na praça, ainda que, repito, tivesse saldo na conta. A bagunça financeira era enorme.
Tive a sorte de contar, bem no auge do meu alcoolismo, com um fundo de garantia que me ajudou com essas catástrofes alcoólicas e até a pagar os gastos com tratamentos. Comecei a trabalhar relativamente cedo e, em um emprego em que fiquei por muitos anos, fiz um acordo para sair e conseguir resgatar um significativo montante de dinheiro.
Essa reserva me salvou por alguns anos, mas só comecei a me reerguer ao longo da recuperação. Entendi, acho que pela primeira vez, o que era ganhar dinheiro. Parece uma fala de criança? Bem, é mais ou menos por aí. Bêbada, eu me comportava como se não tivesse noção do valor do meu trabalho. Se eu ganhasse mais, gastaria mais e não me organizaria para pagar o básico: comida, aluguel, luz.








