Durante muito tempo, tive casos com homens diversos, sempre um encontro pontual: fazia sexo e me bastava. Homens mais velhos, mais novos, casados, semidrogados. Como vivia anestesiada e mais apegada ao álcool do que a qualquer outra coisa, não dava muita importância aos encontros.

O problema é que o meu apego ao álcool não era só uma forma de me soltar, mas também um descaso pela pessoa que estava comigo. Lembro que muitas vezes não me interessava pelo que ela tinha a dizer. Meu foco estava na bebida e nos beijos que eu daria.

Quando parei com o álcool, me perguntei como iria me relacionar com alguém estando sóbria. Marcar um encontro e tomar um suco? Um café? Tentei, e muitas vezes, enquanto eu continuava no café ou no suco, o homem seguia para uma cerveja. Daí a conversa avançava para um patamar que a minha sobriedade não aguentava.

"Nunca fiz amizade bebendo leite" é uma frase que se encaixava perfeitamente para mim na ativa. Odiava quem me chamava para um café ou para um cinema. Qual era a graça? Como dar um beijo a seco? Sem ter a brisa da bebida? Se era para marcar um encontro, que fosse direto: "Vamos tomar uma cerveja?"

Já contei que tenho um amigo colorido. Ele sabe do meu problema, lê as colunas. Com ele me sinto totalmente desnuda, não escondo meus medos, minha insegurança. No momento, ele está desimpedido. Tem seus filhos, um trabalho incrível e é uma das pessoas mais íntegras e queridas com quem já me relacionei desde meu primeiro namoro, que durou sete anos e terminou muito por conta do álcool.