Chego hoje aos 50 anos e a pergunta, insistente e cansativa, é a mesma: "Qual o segredo da sua longevidade?".

Não tem segredo nenhum, pessoal. A genética é quase tudo: venho de uma linhagem em que os homens chegaram sempre perto do meio século. Um bisavô, do qual tenho memórias difusas, atingiu os 54 cheio de vida e saúde. Há esperança para mim.

Claro que, para chegar a esta idade, alguns hábitos também foram importantes. Todos eles podem ser resumidos a um princípio básico: poupança de energia.

Como as tartarugas, mal me mexo. Meu desafio, com a idade, foi aprender a caminhar ainda mais devagar. Há vantagens: conheço minhas cidades com um detalhe microscópico. Seus habitantes também. Posso vê-los, consumidos pela pressa e pela ansiedade, correndo rumo ao abismo que será de todos.

Alguns, segundo as notícias, sonham com a imortalidade e submetem-se a tratamentos que, em outros tempos, seriam classificados como tortura de preso político.