Quando decidiu se aposentar, Gercina Silva Bueno, 58, reuniu a família e mostrou uma planilha. Nela, havia cálculos de gastos, em especial com a filha Manuella, à época com oito anos. Era pandemia e sua percepção de futuro mudou.

Ela queria viver mais e melhor. Para ela, a única forma de cuidar de si e da família era deixar a rotina como bancária após 34 anos, a maior parte como gestora de investimentos para empresas do mercado financeiro.

A decisão veio após o marido, Marcos Antônio Bueno, 63, passar 11 dias intubado. "Eu levava o notebook comigo no hospital para poder atender ali", conta.

"Acho que vou chegar aos 90, e é para isso que me cuido", diz ela, que acorda às 5h todos os dias, organiza a ida da filha à escola, faz atividade física, estuda e faz seus investimentos. A meta é correr a primeira meia maratona neste ano.

Gercina representa um Brasil em acelerada transformação demográfica, cuja longevidade traz desafios e oportunidades. Em cerca de três anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais deve passar o de crianças e adolescentes com até 14 anos no Brasil, segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) analisadas pela Folha. Com a população cada vez mais longeva, o país tende a enfrentar mudanças em diferentes áreas, incluindo a economia.