Até outro dia, envelhecer foi tratado como uma etapa da vida resolvida dentro da família. Filhos cuidavam dos pais, irmãos dividiam tarefas e, quando a dependência aparecia, alguém —quase sempre uma mulher— reorganizava a própria rotina para assumir o cuidado. Esse modelo começa a perder sustentação.
A geração que hoje está na faixa dos 45 anos ou mais vai chegar à velhice em um Brasil com mais idosos, menos filhos e uma estrutura familiar menor. Viver mais deixou de ser apenas uma conquista da medicina e passou a colocar uma nova pergunta no centro do planejamento financeiro: quem vai pagar e quem vai cuidar quando a independência para os afazeres do dia a dia diminuir?
A conta do cuidado é uma despesa que ainda quase não aparece nos planos de aposentadoria, mas pode consumir uma parcela significativa da renda acumulada ao longo da vida.
Até 2050, o número de idosos que vão precisar de cuidados de longa duração deve saltar de 5,1 milhões para 17 milhões, segundo projeções do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Mantido o modelo atual, cerca de 1 milhão poderá ficar sem assistência, enquanto aproximadamente 2,3 milhões dependerão de cuidadores remunerados.
Para Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil), o país vive uma transformação demográfica sem precedentes. "O único grupo da população que continua crescendo desde os anos 2000 é o de pessoas com mais de 60 anos, sobretudo acima de 80", afirma.







