Com abertura neste sábado (20) no Solar, no Centro, 'Eu prefiro ser' reúne trabalhos selecionados de artistas históricos e contemporâneos e obras comissionadas para a exposição 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Obras de Rodolpho Parigi e Thix, de 2026 — Foto: Ana Branco Uma das mentes por trás do duo AVAF (assume vivid astro focus), Eli Sudbrack lembra de assistir aos 4 anos de idade, no início da década de 1970, ao lado da mãe, a Ney Matogrosso cantando e dançando na TV, com parte do corpo despido. — Não me lembro qual era a música, mas ficou a imagem dele se aproximando e se afastando da câmera, de uma forma sedutora. Ney é a minha primeira memória queer — diz Sudbrack. — Ele foi uma referência muito forte para o nosso trabalho justamente por criar, a partir de uma perspectiva queer, uma comunicação universal. É justamente no que acreditamos: estabelecer esse diálogo amplo com o público através das cores, da performance, não importa a orientação sexual de cada um. A relação com o cantor foi materializada em um painel de 4,5 metros de altura, com impressão em vinil e detalhes em néon, com elementos representando vários momentos de sua carreira, como os chifres do álbum de “Água do céu — Pássaro” (1975), o chapéu de “Bandido” (1976), as orelhas de “Destino de aventureiro” (1984). A obra guarda a entrada do Solar, na Rua do Passeio, no Centro do Rio, e convida o público a entrar, a partir deste sábado (20), na coletiva “Eu prefiro ser”, na qual outros 47 artistas participam da homenagem aos 85 anos de Ney Matogrosso, a serem completados em 1º de agosto. 'Exu hermafrodita', de Chico Tabibuia, e painel comissionado do AVAF — Foto: Ana Branco A exposição começou a ser pensada em 2017, cerca de dois anos depois de a instituição ser fundada como Solar dos Abacaxis, no Cosme Velho, para celebrar os 80 anos do cantor, mas os planos foram adiados pela pandemia. Após a mudança para o Centro da cidade, em 2022, os fundadores Bernardo Mosqueira e Adriano Carneiro de Mendonça voltaram a pensar na mostra dentro do programa 2025/2026, que tem a liberdade como eixo temático. As celebrações realizadas no período, como o lançamento da biografia escrita por Julio Maria (2021), a cinebiografia “Homem com H” (2025), dirigida por Esmir Filho e estrelada por Jesuíta Barbosa, e o desfile da Imperatriz Leopoldinense, quinto lugar no Grupo Especial em 2026, delinearam caminhos a seguir na montagem. — Até pelas homenagens recentes, as pessoas vão chegar aqui conhecendo a história do Ney, sabendo a sua importância. Não queríamos botar fotos que todo mundo já viu, letras de música. A proposta é encontrar alguém que as pessoas conhecem e amam, mas de uma maneira que elas nunca viram antes — diz Mosqueira, um dos curadores da coletiva. — Queremos mostrar essa figura tão complexa e diversa, que é impossível de se conhecer tudo. Deixar essa vontade de pesquisar e pensar mais sobre esse artista que tem a capacidade incrível, ao longo de décadas, da ditadura à democratização, de estar continuamente mudando e encantando os públicos mais diferentes. De crianças a idosos, de conservadores aos mais progressistas. Veja obras da mostra 'Eu prefiro ser' 1 de 7