Não é só. Ney já pensa em um novo álbum, só com músicas gravadas ou compostas pela monumental Angela Ro Ro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O cantor Ney Matogrosso — Foto: Guito Moreto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você O cantor celebrará seus 85 anos com o anúncio de uma turnê em estádios para 2027. Ele também planeja um novo disco dedicado à obra de Angela Ro Ro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Ney Matogrosso vai fazer uma turnê com 13 shows em grandes estádios do Brasil a partir do início de 2027. Deve começar por São Paulo, no mesmo Nubank Parque (antigo Allianz Parque), que já o recebeu por duas vezes, lotado, com 45 mil pessoas. E deve terminar, festejem cariocas, no Estádio do Maracanã. Será a primeira vez que o artista vai se apresentar com um espetáculo só seu no grande templo. Tudo vai ser anunciado com mais detalhes sábado, dia 1º de agosto, quando Ney completa 85 anos. Não é só. Ney já pensa em um novo álbum. Ele está animado em fazer um disco só com músicas que foram gravadas ou compostas pela monumental Angela Ro Ro, morta em 2025, antes mesmo de ser entendida em sua plenitude. Um dia chegamos lá. A pesquisa já começou e, em breve, os arranjos vão ganhar forma. Angela vai sair ainda maior da boca de Ney. O último disco solo de Ney saiu em 2021, “Nu com a minha música”, em plena pandemia. Mas colunas não devem ser usadas para dar apenas notícias. Se elas vierem, precisam de reflexão. No debate mais recente sobre o artista, na Praça Roosevelt, em São Paulo, a alguns quarteirões de onde tudo começou em 1973, no Bexiga, onde os Secos & Molhados começaram a ficar famosos, ouvi algumas perguntas de pessoas ainda interessadas em desvendar o muitas vezes insondável Ney Matogrosso. “Como explicar essa capacidade que Ney tem para se reinventar?” Penso que Ney não se reinventa. Ao contrário do que imaginamos, ele é exatamente o mesmo desde quando subiu a um palco pela primeira vez ao lado dos Secos. Mudam a forma, a maquiagem e o figurino, mas, por baixo de tudo, lá está ele, pensando o mesmo que pensava há 53 anos. E é isso o que me parece ser o mais impressionante. Outra pergunta menos frequente, por se tratar de algo delicado: “Por que Ney não fala com clareza de que lado da polaridade política ele está?” Arrisco assim: porque Ney não trabalha com pensamentos ou comportamentos guardados em caixas ideológicas. Assim como não se deixa ser instrumentalizado pelas causas de gênero para não se tornar o que já chamou de estandarte gay, não quer correr o risco de pregar (cantar) apenas para convertidos. Quantas almas são salvas em uma plateia que só diz amém? Ao se calar, Ney parece querer permissão para seguir se infiltrando também na mente de quem acredita que a Terra é plana e que as vacinas nada fizeram contra a pandemia. Perder esse público é perder a chance de praticar a maior magia de um artista: a cura. E mais uma: “Como pode Ney se manter nas manchetes por tanto tempo?” A cada ano um novo fato o recoloca no auge. Efemérides, filme, shows, homenagem de escola de samba, biografias. Já falei em algum momento sobre isso, mas a pergunta persiste nos debates e nas matérias que já começaram a ser feitas sobre os seus 85 anos. Tenho entendido assim: Ney não precisa de nós para nada. Somos nós quem precisamos dele. Nós o acessamos porque queremos que ele nos repita que podemos ser tudo aquilo que quisermos ser. O sair do armário que ele inspira tem uma outra dimensão. “Deixei uma igreja que não me representava e desafiei minha própria família evangélica depois que soube da história dele”, ouvi de uma mulher feliz.
Ney, 85 anos: rumo ao Maracanã
Não é só. Ney já pensa em um novo álbum, só com músicas gravadas ou compostas pela monumental Angela Ro Ro







