Em documentário, que estreia no In-Edit Brasil, Betão Aguiar lembra sua infância e a de seus colegas entre os 'sem-sofá': 'Os pais da gente erraram, mas tentando fazer o melhor' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Moreno Veloso, em cena do documentário 'Nem tudo é paz e amor', na programação do festival In-Edit de 2026 — Foto: Divulgação/Bruno Graziano A história da contracultura brasileira já foi contada sob os mais diversos aspectos, em livros e filmes — mas nunca antes pelo olhar dos filhos dos desbravadores. Delícias e agruras das crianças que — para começo de conversa — tiveram uma educação bem diferente daquela dos seus coleguinhas estão em “Nem tudo é paz e amor”, documentário de Betão Aguiar, programado para estrear na 18ª edição do In-Edit Brasil — Festival Internacional do Documentário Musical, que começa hoje, em São Paulo. O doc tem sessões no sábado (às 20h30, no Cinesesc) e nos dias 25 (às 20h, na Cinemateca Brasileira) e 28 (às 14h, no Spcine Olido). — Minha mãe falou que o filme devia ter um subtítulo, “os sem-sofá” — diverte-se Betão, filho de Paulinho Boca de Cantor (do grupo Novos Baianos) e de Marília Aguiar, que, por ser o caçula, não viveu tanto quanto a sua irmã, Maria Meneghini, a obsessão dos pais por abolir a mobília tradicional e sentar-se em qualquer canto. — Buchinha (a irmã) ficou dois anos e meio sem nome e vivia no sítio dos Novos Baianos, onde não tinha quarto só para ela, a comida dela era roubada... Minha mãe conta muito essa história (no livro “Caí na estrada com os Novos Baianos”). Os primogênitos dos Novos Baianos, mais os de Caetano Veloso (Moreno Veloso), Gilberto Gil (Nara Gil), Rita Lee (Beto Lee), Rogério Duarte (Areia Duarte) e Itamar Assumpção (Anelis Assumpção) foram convocados para contar suas histórias de infância para este filme, que começou como um projeto de uma amiga de adolescência de Betão: a produtora Jasmin Pinho, falecida em 2020, ela mesma filha de hippies de Salvador. — Os pais dela tinham uma casa na Boca do Rio, praticamente em frente à praia dos artistas. Quando eu era criança, a gente ia muito lá, era onde a galera fumava um, porque tinha uma colina que tapava o cheiro da maconha — recorda-se Betão, que convocou para dar depoimento a “Nem tudo é paz e amor” a irmã mais velha de Jasmin, a produtora cinematográfica Minom Pinho (no filme, ela admite o grande sonho dos 8 anos de idade: “Ser careta”). Com imagens de arquivo tiradas de muitos dos filmes contraculturais brasileiros dos anos 1970 (e uma trilha que traz pérolas da época e músicas afins de artistas contemporâneos, como Fernando Catatau e Picanha de Chernobill), “Nem tudo é paz e amor” (que chega ao circuito comercial no segundo semestre, pela Pandora Filmes) dá voz aos filhos, boa parte dos quais se tornou também artistas, teve seus filhos e segue compartilhando das utopias dos pais. Um dos depoimentos mais simbólicos é o de Sarah Sheeva, filha dos novos baianos Pepeu Gomes e Baby do Brasil. Ela fala dos traumas que teve ao ser batizada de Riroca e de sua vida, hoje totalmente afastada da contracultura, como missionária evangélica e cantora gospel. — Tem um certo preconceito de quem é do nicho da música com a questão dos evangélicos, mas acho Sarah uma artista incrível, que faz uma parada muito de verdade. Quis evidenciar um pouco dessa lucidez dela, deixá-la falar da ausência dos pais de uma maneira bem clara, e de quanto ela se sentiu acolhida na igreja, onde poderia chorar, coisa que era difícil no meio da gente — conta o diretor. Sarah Sheeva, em cena do documentário "Nem tudo é paz e amor", na programação do festival In-Edit de 2026 — Foto: Divulgação/Bruno Graziano Para Betão Aguiar, que também é músico (há mais de 20 anos toca com Arnaldo Antunes), “os pais da gente erraram, mas erraram tentando fazer o melhor, tentando melhorar”: — E, como diz a Ciça, filha do Moraes Moreira, os pais caretas também faziam muita merda. Mas eles eram os moralistas, os primeiros a querer esconder as coisas que faziam. Imagens: momentos da vida e da carreira de Rita Lee, a Rainha do Rock Brasileiro 1 de 28 A cantora Rita Lee em São Paulo, em novembro de 1982 — Foto: Sílvio Correa / Agência O Globo 2 de 28 A jovem Rita Lee pelas lentes da fotógrafa Thereza Eugenia — Foto: Thereza Eugenia X de 28 Publicidade 28 fotos 3 de 28 A cantora Rita Lee na infância, na década de 1950, em São Paulo — Foto: Reprodução 4 de 28 A cantora Rita Lee, em 1982 — Foto: Sílvio Correa X de 28 Publicidade 5 de 28 1970. Rita Lee nos tempos de modelo — Foto: Divulgação 6 de 28 Capa do álbum de 1980: sucesso retumbante em todo o Brasil — Foto: Arquivo X de 28 Publicidade 7 de 28 Capa do livro “favoRita”, lançado em 2018, em comemoração aos 70 anos — Foto: Reprodução 8 de 28 Em 1968, no Festival Internacional da Canção — Foto: Arquivo X de 28 Publicidade 9 de 28 Rita Lee e o Cães e Gatos, em 1978 — Foto: Arquivo / Agência O Globo 10 de 28 Rita Lee ao lado de João Gilberto, em especial da TV Globo, em 1980 — Foto: Alcyr Cavalcanti X de 28 Publicidade 11 de 28 Ao lado de Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, Rita fez história na banda de rock Os Mutantes — Foto: Reprodução 12 de 28 Em 1978, como a Miss Brasil 2000 do show “Babilônia” — Foto: Reprodução X de 28 Publicidade 13 de 28 Rita Lee e Roberto de Carvalho — Foto: Divulgação 14 de 28 Rita Lee e Fafá de Belém no programa Sexta Super - "Mulher 80". — Foto: Anibal Philot / Agência O Globo X de 28 Publicidade 15 de 28 Apaixonada por bichos, cantora era voz ativa na causa animal — Foto: Arquivo 16 de 28 Hebe Camargo e Rita Lee dando o primeiro selinho da apresentadora ao vivo — Foto: Reprodução/Youtube X de 28 Publicidade 17 de 28 Com Ney Matogrosso, em 1997 — Foto: LUIZ EDUARDO PEREZ 18 de 28 Selinho em Milton Nascimento, na gravação do CD “Acústico”, em 1998 — Foto: SERGIO FALCI / ESTADO DE MINAS X de 28 Publicidade 19 de 28 Rita Lee vestida de Nossa Senhora, em 1995, no show do Hollywood Rock — Foto: Marcos Issa / Agência O Globo 20 de 28 No palco, seu habitat, em 1997, sempre bem-humorada — Foto: Arquivo X de 28 Publicidade 21 de 28 Rodeada pelos três filhos e netos, em 2019, no aniversário do marido, Roberto de Carvalho — Foto: Acervo Pessoal 22 de 28 Rita e o filho João Lee, segundo dos três irmãos, ainda criança — Foto: Reprodução X de 28 Publicidade 23 de 28 A cantora, no jardim de casa, em São Paulo: “Os seres de luz são danadinhos" — Foto: Guilherme Samora 24 de 28 Rita Lee no Rock in Rio, em 1985 — Foto: Mauricio Valadares / Editora Globo / Agência O Globo X de 28 Publicidade 25 de 28 A cantora Rita Lee — Foto: Divulgação 26 de 28 A cantora Rita Lee — Foto: Divulgação X de 28 Publicidade 27 de 28 Rita Lee, a "Rainha do Rock Brasileiro" — Foto: Divulgação 28 de 28 Rita Lee, ícone da música brasileira — Foto: Divulgação X de 28 Publicidade .
Filhos de Caetano, de Gil, de Rita Lee e dos Novos Baianos lembram infância nos tempos do desbunde: 'Os pais caretas também erravam, mas eram os primeiros a querer esconder'
Em documentário, que estreia no In-Edit Brasil, Betão Aguiar lembra sua infância e a de seus colegas entre os 'sem-sofá': 'Os pais da gente erraram, mas tentando fazer o melhor'








