Oitenta por cento. Esse é o número que uma autoridade graduada do governo Donald Trump atribuiu à chance de assinatura do acordo de paz com o Irã nos próximos dias. Seria o bastante para encerrar os dias de guerra no Golfo Pérsico, reabrir o Estreito de Ormuz e rearranjar todas as peças no tabuleiro dos mercados globais. Mas 80% não é 100%. E a sexta-feira (12) mostrou que a distância entre os dois números é onde moram os fatores sacudiram a semana do investidor brasileiro do inferno ao céu - ou quase isso. O Ibovespa, que ontem disparou na euforia do anúncio de Trump cancelando os bombardeios contra o Irã, devolveu parte da convicção hoje. Ficou no zero a zero, andando de lado, com liquidez rala. O Ibovespa assim encerra a semana no campo positivo, mas sem grandes razões para celebrar, com alta de 1,25% e nos 171.133 pontos. Nesta sessão, recuou 0,1%. No mês, a queda acumulada é de 1,53% e, no ano até aqui, o índice soma ganhos de 6,2%. Quem esperava a bolsa confirmar otimismo olhou para o ativo errado. O jogo de hoje aconteceu inteiro no câmbio e nos contratos de juros futuros - os dois mercados que reagem em tempo real a cada post de Trump na Truth Social ou cada nova perspectiva vazada pelas agências. O giro financeiro do Ibovespa hoje ficou em R$ 15,4 bilhões, 16% abaixo da média diária nos últimos 12 meses, de R$ 18,4 bilhões. De ontem para hoje, o mercado não teve nenhuma confirmação adicional forte o bastante para justificar comprar mais risco. Pelo contrário. De manhã, Teerã vazou um documento com termos que pareciam muito favoráveis ao Irã - controle do Estreito de Ormuz, retirada das forças americanas em 30 dias e US$ 300 bilhões para reconstrução. Trump explodiu, chamou os iranianos de "desonrosos" e o documento de "fake news". À ameaça de uma nova ruptura, o mercado passou a devolver a alta. A situação foi amenizada pelo primeiro-ministro do Paquistão (mediador das negociações) que apareceu para apaziguar os ânimos e confirmou que o texto final acordado existe e que os próximos passos estão sendo coordenados. O chanceler iraniano confirmou que o memorando de entendimento "nunca esteve tão perto". A Suíça se ofereceu para sediar a cerimônia de assinatura antes do G7, na segunda que vem. E uma autoridade americana reiterou à mídia: "Estamos muito perto". O quadro é um feixe de luz sobre o quadro da semana - e dos últimos dois meses - com as expectativas para um acordo indo do céu ao inferno e vice-versa em questão de dias - ou até num mesmo dia. Na segunda, o Ibovespa sangrava com liquidez mínima, foi aos 168 mil pontos na mínima, no quinto pregão consecutivo de queda. O IPO da SpaceX aspirava a liquidez global, o dólar batia R$ 5,18 e o mercado dava como certo o fim do ciclo de cortes na quarta. O post de Trump na Truth Social cancelando os bombardeios na quinta virou a mão do mercado inteiro, ajudando o Ibovespa a superar os 171 mil pontos, enquanto o dólar derreteu e a curva de juros mergulhou. Nesse ambiente, sobra apenas espaço para o trade, a movimentação rápida de capital no mercado e voltada para os ganhos de curto prazo. É nesta seara que as ações caem para o segundo plano e o dólar e os juros passam a funcionar melhor como termômetro de humor dos investidores. O dólar à vista recuou 1,84% nesta semana, encerrada a R$ 5,06. Na sessão, a moeda americana desvalorizou 0,77% contra o real, mas, no mês, ainda está com alta de 0,4%. No ano até aqui, recuou 7,8% no mercado de câmbio local. O IPCA e o Copom Não foi só geopolítica que conduziu os humores aqui no Brasil. De manhã o IBGE entregou o IPCA de maio: acima do esperado e jogando a inflação corrente oficialmente para acima do teto da meta do Banco Central (BC) pela primeira vez desde outubro de 2025. O dado reflete uma desaceleração do ritmo de alta dos preços frente a abril (0,67%) e março (0,88%), é verdade, mas confirma que a pressão veio do encarecimento dos fertilizantes, consequência direta da guerra no Golfo Pérsico. Então o conflito - tão perto e tão longe de acabar - é o que alimenta a inflação que pode impedir o BC de cortar juros na quarta. A curva de juros encerrou a semana mostrando que, se o acordo for assinado ou ao menos não houver um novo atrito grave entre EUA e Irã e, assim, o petróleo mostrar sustentação dos preços abaixo de US$ 90, as expectativas desancoradas, que ameaçam travar o ciclo de cortes de juros, podem se dissipar rápido o bastante para o BC manter os cortes. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saiu de 14,33% para 14,35% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2031 oscilaram de 14,46% para 14,33% ao ano.Já para janeiro de 2036, a taxa oscilou de 14,35% para 14,25% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo. Não tão rápido, no entanto, quanto a pressão inflacionária do choque de oferta - que levará um tempo mais real que o das expectativas para se reacomodar, segundo especialistas. Quanto falta para os 100%? O barril de Brent (referência mundial), que estava a US$ 93 na última semana, encerrou esta nos US$ 87, uma queda de quase 7% nos últimos cinco dias. Se confirmada a reabertura do Estreito de Ormuz, analistas veem espaço para o barril voltar à faixa dos US$ 80, um patamar em que o choque de oferta se dissipa e a transmissão para os preços ao consumidor começa a arrefecer em semanas. É esse o cálculo que o Copom precisará pesar na próxima quarta. Os 80% de chance do acordo podem virar 100% antes da decisão, mas também podem desmoronar no piscar de um post. O que o mercado precificou nesta semana foi um cenário intermediário: o mais provável é que o acordo saia, mas com algum ruído no caminho. Para a bolsa, os contratos de juros futuros e o câmbio têm sido os condutores das negociações enquanto o apetite por risco em alocações mais estruturais ou indexadas anda baixo. É nesses ativos que o mercado está fazendo - e desfazendo - suas apostas sobre o que o BC fará. À exceção de Petrobras e outras petroleiras, que por sua vez dependem das flutuações no petróleo, a movimentação no resto da carteira de ações se tornou consequência do que está sendo refletido no dólar e nos juros. Até porque, por enquanto, o investidor está esperando esse roteiro terminar de carregar. Das 78 ações que compõem o Ibovespa atualmente, 55 valorizaram nesta semana. Na sessão derradeira, a maioria ficou no vermelho. Comportamento das ações do Ibovespa em 12/6/2026 Código Nome Abertura Mínima Média Máxima Fechamento Var. % VAMO3 VAMOS ON 2,93 2,90 3,00 3,05 3,03 3,06 EMBJ3 EMBRAER ON 71,25 71,03 72,64 73,40 72,85 2,32 PSSA3 PORTO SEGURO ON 49,39 49,17 50,20 50,59 50,49 1,98 EGIE3 ENGIE BRASIL ON 34,31 34,09 35,37 35,94 35,21 1,94 BRAP4 BRADESPAR PN 21,98 21,95 22,40 22,60 22,42 1,82 CYRE3 CYRELA REALT ON 20,73 20,73 21,49 21,85 21,36 1,23 HYPE3 HYPERA ON 21,02 20,95 21,40 21,58 21,49 1,08 POMO4 MARCOPOLO PN 5,83 5,76 5,89 5,97 5,86 1,03 GOAU4 GERDAU MET PN 10,32 10,32 10,54 10,65 10,53 0,96 CPLE3 COPEL ON 14,34 14,30 14,62 14,74 14,61 0,76 CURY3 CURY S/A ON 31,69 31,28 32,32 32,71 32,11 0,72 BBDC4 BRADESCO PN 17,51 17,48 17,79 17,99 17,80 0,68 ENGI11 ENERGISA UNT 46,56 46,11 47,26 47,64 47,40 0,68 CSNA3 SID NACIONAL ON 5,99 5,94 6,07 6,16 6,05 0,67 WEGE3 WEG ON 41,86 41,86 42,69 43,23 42,61 0,61 KLBN11 KLABIN S/A UNT 16,78 16,67 16,87 17,00 16,88 0,60 NATU3 NATURA ON 8,47 8,41 8,50 8,59 8,56 0,59 ENEV3 ENEVA ON 24,08 23,99 24,54 24,83 24,54 0,57 VIVA3 VIVARA ON 21,07 20,91 21,48 21,68 21,33 0,57 SUZB3 SUZANO S.A. ON 41,00 41,00 41,51 41,87 41,52 0,56 BBDC3 BRADESCO ON 15,30 15,26 15,48 15,68 15,50 0,52 VALE3 VALE ON 78,66 78,13 79,26 79,80 79,17 0,47 AURE3 AUREN ON 11,62 11,61 11,76 11,92 11,79 0,34 BBAS3 BRASIL ON 19,30 19,22 19,48 19,66 19,46 0,26 GGBR4 GERDAU PN 23,53 23,52 23,95 24,11 23,88 0,25 ITUB4 ITAU UNIBANCO PN 40,22 40,11 40,72 41,12 40,60 0,25 BBSE3 BB SEGURIDADE ON 37,90 37,60 37,88 38,28 37,87 0,19 FLRY3 FLEURY ON 15,00 14,95 15,18 15,32 15,18 0,13 RDOR3 REDE D OR ON 33,66 33,64 34,24 34,74 34,08 0,12 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 44,04 43,93 44,33 44,89 44,42 0,11 BEEF3 MINERVA ON 3,75 3,73 3,78 3,81 3,78 0,00 USIM5 USIMINAS PNA 10,82 10,69 10,92 11,09 10,85 0,00 TAEE11 TAESA UNIT 39,72 39,43 39,72 39,94 39,69 -0,03 LREN3 LOJAS RENNER ON 15,09 15,09 15,41 15,58 15,38 -0,06 MBRF3 MARFRIG ON 15,89 15,73 16,06 16,34 15,99 -0,06 BRAV3 BRAVA ON 20,88 20,63 20,98 21,10 21,02 -0,14 SANB11 SANTANDER BR UNIT 27,17 27,07 27,40 27,65 27,13 -0,15 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,50 16,44 16,60 16,77 16,61 -0,18 BPAC11 BTGP BANCO UNT 50,32 49,90 50,64 51,44 50,39 -0,18 CXSE3 CAIXA SEGURI ON 18,64 18,52 18,65 18,78 18,60 -0,21 MULT3 MULTIPLAN ON 28,50 28,25 28,54 28,75 28,44 -0,21 ITSA4 ITAUSA PN 12,88 12,81 12,92 13,11 12,90 -0,23 RENT3 LOCALIZA ON 40,13 40,13 40,83 41,26 40,70 -0,25 ISAE4 ISA ENERGIA PN 27,11 27,11 27,28 27,54 27,33 -0,29 EQTL3 EQUATORIAL ON 38,72 38,55 38,77 39,24 38,77 -0,31 ALOS3 ALLOS ON 27,00 26,78 27,15 27,37 27,07 -0,48 AXIA3 AXIA ENERGIA ON 51,94 51,74 52,13 52,84 52,00 -0,52 MRVE3 MRV ON 5,15 5,11 5,27 5,38 5,18 -0,58 UGPA3 ULTRAPAR ON 24,68 24,61 24,84 25,07 24,80 -0,72 CMIG4 CEMIG PN 10,81 10,72 10,82 10,92 10,73 -0,74 TOTS3 TOTVS ON 29,50 29,33 29,78 30,32 29,80 -0,80 YDUQ3 YDUQS PART ON 8,70 8,63 8,76 8,93 8,73 -0,80 DIRR3 DIRECIONAL ON 13,24 13,24 13,65 13,96 13,44 -0,81 CSAN3 COSAN ON 3,30 3,30 3,35 3,41 3,34 -0,89 RADL3 RAIA DROGASIL ON 17,35 17,35 17,66 18,04 17,46 -0,91 CMIN3 CSN MINERACAO ON 4,33 4,23 4,31 4,45 4,30 -0,92 RAIL3 RUMO S.A. ON 13,36 13,25 13,36 13,61 13,36 -0,96 VIVT3 TELEF BRASIL ON 33,68 33,42 33,79 34,09 33,53 -0,97 MOTV3 MOTIVA SA ON NM 14,03 13,87 14,04 14,15 13,95 -1,06 SBSP3 SABESP ON 27,55 27,54 27,75 28,14 27,54 -1,11 PRIO3 PETRORIO ON 61,10 60,05 61,09 61,73 61,34 -1,14 VBBR3 VIBRA ON 29,23 29,14 29,28 29,61 29,15 -1,29 PETR3 PETROBRAS ON 46,10 45,57 46,10 46,72 46,19 -1,30 B3SA3 B3 ON 15,20 15,13 15,32 15,58 15,23 -1,36 TIMS3 TIM ON 22,51 22,50 22,62 22,87 22,51 -1,36 PETR4 PETROBRAS PN 41,06 40,82 41,09 41,53 41,18 -1,39 IGTI11 IGUATEMI S.A UNT 24,81 24,51 24,66 25,00 24,55 -1,60 RECV3 PETRORECSA ON 10,99 10,74 11,00 11,17 10,93 -1,62 HAPV3 HAPVIDA ON 11,52 11,26 11,55 11,93 11,40 -1,64 ASAI3 ASSAI ON 8,16 8,03 8,16 8,42 8,10 -1,70 AZZA3 AZZAS 2154 ON 17,21 17,11 17,36 17,80 17,19 -1,83 CSMG3 COPASA ON 57,40 55,54 56,72 58,34 57,40 -1,88 MGLU3 MAGAZINE LUIZA ON 5,23 5,19 5,28 5,44 5,22 -2,06 SMFT3 SMART FIT ON 19,04 18,84 19,09 19,57 18,93 -2,17 CEAB3 CEA MODAS ON 11,00 10,81 10,97 11,29 10,96 -2,32 SLCE3 SLC AGRICOLA ON 14,62 14,24 14,37 14,76 14,25 -2,93 COGN3 COGNA ON 2,42 2,34 2,39 2,47 2,34 -4,49 BRKM5 BRASKEM PNA 9,67 9,10 9,40 9,92 9,10 -6,67