A América Latina, “quintal” dos Estados Unidos, nunca esteve tão vigiada. Em apenas 17 meses no poder, Donald Trump impôs acordos bilaterais a 17 países do subcontinente para garantir aliança militar, uso do espaço aéreo, instalação de bases, imunidade para soldados e espiões e troca de informações dos serviços de inteligência. A decisão de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas não foi gesto isolado. Desde o ano passado, o objetivo de Washington é retomar, de qualquer maneira, a influência política, militar e econômica na região, palco da nova disputa com a China.
O argumento do combate ao narcotráfico abre, portanto, a porta para justificar certas ações e militarizar a América Latina integra a Estratégia de Defesa Nacional, publicada no fim de 2025. O que impressiona diplomatas é a velocidade de implementação da ofensiva que vem sendo efetivada. Em março, Trump desviou a atenção do conflito no Irã e anunciou a criação do Escudo das Américas, aliança militar com aliados submissos. O pacto, apelidado de “Otan das Américas” em certos círculos diplomáticos, envolve alguns dos governos mais leais à extrema-direita latino-americana.
Durante uma audiência discreta e sem alarde em um subcomitê do Congresso norte-americano, ainda em 17 de março, o vice-secretário do Departamento de Guerra, Joseph Humire, dimensionou o avanço. “Desde novembro de 2025”, elencou, “o Departamento de Guerra obteve compromissos bilaterais da Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago, expressando nossa intenção compartilhada de cooperar em relação à segurança de fronteiras, ao combate ao narcoterrorismo e à proteção de infraestruturas e ativos críticos contra o controle maligno.” Mais: “O Departamento de Guerra está empenhado em engajar-se ativamente com esses e outros parceiros regionais para identificar oportunidades de expandir nosso acesso, bases e sobrevoos”.














