Ainda não se conhecem as consequências da decisão do governo Trump de incluir o PCC e o Comando Vermelho nas listas de Grupos Terroristas Especialmente Designados e de Organizações Terroristas Estrangeiras. O duplo enquadramento soma sanções financeiras a medidas penais e restrição migratória.

Em consequência, o combate às facções deixa de ser problema policial do Brasil e passa a ser questão de segurança nacional dos Estados Unidos, abrindo brechas para sanções e ações unilaterais —como operações secretas ou mesmo o uso de força militar— fora do controle brasileiro.

Especialistas se dividem quanto à extensão do dano que aquela medida unilateral poderá trazer para a cooperação policial entre os dois países, já bem estabelecida há tempos, bem como para o setor financeiro e para empresas nacionais que operam nos Estados Unidos.

Sem dúvida, a natureza transnacional do crime organizado, do qual PCC e CV são expoentes, requer similar esforço concertado para enfrentá-lo. Mas tampouco há dúvida de que o Brasil não tem nada a ganhar se submeter à discrição dos EUA o necessário e urgente combate às facções criminosas que aterrorizam a população, infiltram-se na atividade econômica e corrompem o sistema político.