A decisão dos Estados Unidos de designar o PCC e o CV como organizações terroristas parece, à primeira vista, uma resposta dura ao crime organizado. Ao contrário, tal medida, além de não contribuir em nada nesse sentido, se explica apenas como uma ferramenta de coerção para garantir os interesses geopolíticos estadunidenses.
O fato é que já existia um longo histórico de cooperação entre Polícia Federal, FBI, DEA e Departamento de Justiça, não apenas no plano jurídico internacional, mas no que se refere à inteligência financeira e intercâmbio de provas. Tal designação deverá atrapalhar o enfrentamento ao crime organizado, ao deslocar uma cooperação policial relativamente objetiva para uma agenda de segurança nacional, mais secreta, mais politizada e subordinada à CIA, ao Departamento de Defesa.
PCC e CV são organizações criminosas violentas, perigosas e transnacionais. Mas sua racionalidade é de mercado. Chamá-las de terroristas pode produzir impacto simbólico, mas é contraproducente. Informações que antes circulariam entre polícias e promotores passarão a ser classificadas como inteligência sensível e secreta. Dados úteis para denúncia, busca, bloqueio de bens e processo penal deixarão de ser compartilhados e se tornarão imprestáveis como prova judicial. Os criminosos agradecem.










