Quando os Estados Unidos anunciaram planos para designar duas organizações criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras, amigos e contatos brasileiros nos perguntaram se deveriam esperar ataques com drones em favelas ou incursões das forças especiais americanas na Amazônia.
Embora tais ações sejam improváveis, os temores expressados apontam para uma realidade complexa: essas designações foram apenas a mais recente de uma série de medidas adotadas pelos EUA que vêm afastando o Brasil dos EUA. Embora muitos observadores em Washington não percebam isso, o beneficiário involuntário dessa dinâmica é a China.
Desde o início de 2025, o governo Trump impôs tarifas significativas sobre produtos brasileiros, sancionou ministros do STF com base na Lei Magnitsky e abriu uma investigação nos termos da Seção 301 que teve como alvo o Pix. As medidas relacionadas à designação por terrorismo têm um alcance maior do que muitos imaginam.
A classificação aciona a legislação americana sobre apoio material ao terrorismo e produz efeitos no Brasil por meio do sistema de bancos baseado em dólares, alcançando empresas que sequer têm conhecimento de sua possível responsabilidade sob a legislação dos EUA. Os dois grupos designados —o PCC e o Comando Vermelho— estão profundamente integrados à economia formal, ampliando preocupações de conformidade para toda a economia brasileira.








