Governo Trump diz que grupos 'orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros' O assessor da Presidência Celso Amorim — Foto: Cristiano Mariz RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 19:49 Celso Amorim Critica Classificação de Facções Brasileiras como Terroristas pelos EUA Celso Amorim criticou a decisão dos EUA de classificar Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas, destacando que "cooperação é bem-vinda, mas intervenção é inaceitável". Anunciada por Marco Rubio, a medida visa combater a influência dos grupos, mas gera preocupações sobre soberania brasileira e possíveis impactos financeiros. Especialistas apontam que a decisão, embora esperada, pode não se adequar ao perfil voltado ao lucro dessas organizações. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O assessor para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, criticou a decisão dos Estados Unidos de classificarem o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como terroristas e afirmou que a "cooperação é bem-vinda, mas o pretexto para intervenção é inaceitável". "Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento scio-econômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável"", afirmou Celso Amorim em nota. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pelas redes sociais nesta quinta-feira. "O seu alcance estende-se por toda a nossa região e pelo nosso país", disse Rubio em uma publicação no X, antigo Twitter. A nota no qual o anúncio foi feito afirma que os grupos são "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil". O texto afirma que PCC e CV foram classificados como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês). Eles devem ainda receber a classificação de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) partir de 5 de junho de 2026. "Juntos, eles comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. A sua influência e redes ilícitas estendem-se muito além das fronteiras do Brasil, através da nossa região e do nosso país", diz o anúncio do Departamento de Estado. O anúncio foi feito após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro retornar de viagem aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente Donald Trump e integrantes da cúpula do governo americano, como o vice-presidente J.D Vance e o próprio Rubio. Em março, o jornal americano The New York Times afirmou que Eduardo e Flávio Bolsonaro pressionavam o governo americano para adotar a designação. Ao longo dos últimos meses, o governo brasileiro empreendeu esforços para evitar que os Estados Unidos optassem pela classificação. No entendimento das autoridades brasileiras, a decisão pode implicar em um risco à soberania do país, e o assunto foi tema de conversas entre o ministro das Relações Exteriories Mauro Vieira e Rubio. Após se encontrar com Trump na Casa Branca no início de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em coletiva de imprensa não ter discutido o tema com o líder americano. Para o pesquisador e especialista em Segurança Pública Roberto Uchôa, a classificação já era prevista e se insere no contexto recente de pressões americanas sobre países da região. Ele avalia, no entanto, que a adoção do termo para se referir aos grupos criminosos brasileiros não é adequada por se tratarem de organizações voltadas ao lucro. — Isso já aconteceu com a Colômbia, com a Venezuela, com o México — diz Uchôa, citando casos de países onde facções também passaram a ser tratadas como terroristas pelos EUA — Isso não faz sentido, pois, apesar de PCC e CV serem organizações que atuam com violência, com controle de território, infiltrações e mercados, elas são voltadas para o lucro. Elas não são voltadas para derrubar o Estado de direito ou para lutar contra o Estado brasileiro como um todo, muito menos movidas por questões políticas, ideológicas ou religiosas. Ghunter Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, explica que “neste momento a classificação não tem impacto direto na soberania do Brasil”, mas nas instituições financeiras que atuam no mercado americano. — Eu não vejo (possibilidade) de nenhuma ação militar contra essas organizações aqui no Brasil porque o Brasil não é um país pequeno, um país qualquer. Vejo o sistema financeiro nosso tendo as maiores consequências — explicou o especialista. As instituições financeiras brasileiras que atuam nos EUA terão, segundo o professor, que “ter um cuidado redobrado de quais são os seus clientes” e ele pontua que o anúncio da classificação vem no dia de mais uma operação da Polícia Federal no mercado financeiro, o Carbono Oculto. A ação, para Rudzit, mostrou o quanto as fintechs “estão ligadas ao crime organizado, principalmente o PCC”. O que pode mudar com a classificação de organização terrorista nos EUA: Permite ao governo americano adotar medidas legais, financeiras e operacionais específicas contra o grupo enquadrado.Autoriza bloqueio de ativos financeiros, proibição de transações e restrições migratórias contra integrantes ou associados.Torna crime, nos Estados Unidos, qualquer forma de apoio material ao grupo, incluindo dinheiro, treinamento, serviços ou fornecimento de equipamentos.Amplia o uso de instrumentos de inteligência e das capacidades operacionais do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, inclusive em ações unilaterais, dependendo da forma de aplicação da legislação. Em atualização
Amorim critica decisão dos EUA de classificarem CV e PCC como terroristas: 'Pretexto para intervenção é inaceitável'
Governo Trump diz que grupos 'orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros'













