O governo Donald Trump não perdeu tempo. Um mês depois de os Estados Unidos decidirem classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, os americanos anunciaram as primeiras sanções contra brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para a facção paulista.

A aplicação das sanções nesta quarta-feira (1º) indicou não só que o governo dos EUA tem acesso a informações detalhadas do esquema das empresas envolvidas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e escapar da fiscalização, como sinalizou também que eles podem estar sendo abastecidos de informações repassadas diretamente por brasileiros envolvidos nas investigações.

De forma legal, por meio de cooperação entre investigadores dos dois países, ou por debaixo dos panos, de forma sigilosa, com razões políticas neste ano de eleições presidenciais por aqui? É a dúvida que paira.

É fácil prever que esse primeiro movimento dos americanos é só o começo, e tudo indica que vai acabar chegando indiretamente nos envolvidos no escândalo do Master.

Afinal, como revelou a Folha em janeiro deste ano, o Banco Central identificou seis fundos de investimento suspeitos de fazerem parte do esquema de fraude capitaneado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.