Parte da classe política brasileira acusa de ameaça à soberania nacional a reclassificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos de Donald Trump. Para o pesquisador de terrorismo Christian Vianna, no entanto, existe uma ameaça já instalada. E ela tem CEP brasileiro.

"Quando PCC e CV conquistam territórios onde o Estado não entra, eles usurpam a soberania do país. E isso vai para além do terrorismo. Ameaçam muito mais a soberania brasileira do que os EUA", afirma ele, que passou 25 anos na Polícia Federal atuando em áreas como inteligência, contrainteligência, combate ao crime organizado transnacional e antiterrorismo.

Vianna, que desde 2021 é subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, enxerga a medida anunciada por Washington como uma decisão essencialmente política, mas capaz de produzir efeitos concretos, para o bem e para o mal.

Na sua avaliação, o principal aspecto positivo da reclassificação é o fato de os EUA assumirem publicamente o enfrentamento das duas maiores facções brasileiras como prioridade, ampliando possibilidades de cooperação internacional e de asfixia financeira de organizações que já operam muito além das fronteiras nacionais.