O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diz que a cooperação entre os Estados Unidos e o Brasil precisa ser uma via de mão dupla ao comentar a decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Em entrevista à Folha, ele afirma que a parceria entre Brasília e Washington é histórica e deve ser mantida e fortalecida. Para Andrei, diversas operações e apreensões realizadas pelos dois países são resultado da troca permanente de informações entre as agências de segurança.

O chefe da PF vê como necessária uma atuação ainda mais efetiva das autoridades americanas na prisão de foragidos, no bloqueio de patrimônios e na recuperação de ativos ilícitos. O novo entendimento dos EUA sobre PCC e CV entra em vigor nesta sexta-feira (5).

Andrei diz que há desafios enfrentados pelo Brasil com origem em atividades criminosas com conexões nos Estados Unidos, como o tráfico de armas e de drogas, e citou que a maior apreensão de armas da PF, realizada no Aeroporto do Galeão (RJ), era proveniente dos EUA. Também mencionou a entrada recorrente no Brasil de carregamentos de haxixe oriundos daquele país.

"Muitas dessas apreensões são fruto dessa troca de informações que nós temos com as agências americanas. Isso nos permitiu, muitas vezes, realizar flagrantes aqui no Brasil e, em outras ocasiões, repassar informações para os Estados Unidos, possibilitando a prisão de traficantes antes mesmo de a droga ser enviada", afirmou.