A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas deve provocar, num primeiro momento, uma crise política e diplomática no Brasil, mas pode abrir novas frentes de cooperação entre autoridades brasileiras e americanas no combate ao crime organizado transnacional.
A avaliação é do cientista político Leandro Piquet, coordenador da Escola de Segurança Multidimensional da USP (ESEM-USP), para quem a medida tende a produzir inicialmente reações políticas ligadas à soberania nacional e à disputa eleitoral antes de se traduzir em mecanismos práticos de compartilhamento de dados, sanções financeiras e investigação internacional.
"Vamos ter um período de respostas políticas e conflito, e depois o Estado entra e a cooperação vai se estabelecendo", avalia. "Serão várias emoções. Primeiro, a das reações políticas. Depois, a tradução prática dessa classificação. E eu aposto que as instituições brasileiras vão aproveitar essas oportunidades mais do que ficar no discurso de governo e de que a decisão fere a nossa soberania."
Segundo ele, a medida alçou duas facções transnacionais à categoria de organizações terroristas e, com isso, CV e PCC deixam de ser tratadas apenas pelo sistema de justiça criminal para serem incorporadas a estratégias de defesa e segurança nacional dos EUA.












