A decisão de Washington de incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho na lista de organizações consideradas terroristas pelos EUA contém riscos, mas também potenciais oportunidades para autoridades brasileiras. É o que afirmam dois especialistas em segurança pública ouvidos pelo Valor. Para o Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é uma decisão ruim para a soberania brasileira, mas que está em linha com decisões ou posicionamentos intervencionistas do governo Donald Trump. Um aspecto positivo poderia ser uma intensificação da cooperação na área de inteligência e na área policial entre EUA e Brasil, diz Lima. Por outro lado, o risco para os interesses nacionais, acrescenta ele, é que a classificação das facções brasileiras como terroristas poderia abrir a porta para operações militares no território brasileiro. “Com essa classificação, os EUA poderão vir a fazer operações extra-territoriais”, tendo o Brasil como alvo. “A decisão é muito ruim para a soberania brasileira.” Para Leandro Piquet, Professor do Instituto de Relações Internacionais e Coordenador da Escola de Segurança Multidimensional da USP, não parece realista um cenário de tropas americanas descendo no Rio ou em SP para atacar membros da cúpula das duas facções, ou qualquer outro tipo de ação militar no Brasil. Ou bombardeando navios cargueiros usados pelas organizações para embarcar, às escondidas, carregamentos de cocaína para a Europa. Para Piquet, a decisão de Washington pode ser uma janela de oportunidade para autoridades brasileiras obterem mais rapidamente provas dos tentáculos do PCC e do CV no exterior e também mais sanções contra criminosos das facções. Em outra frente, empresas brasileiras que não seguem devidamente a regra do “know you client” poderiam ser mais facilmente sancionadas. A dúvida é se empresas que nada têm a ver com as facções – mas que estejam em setores contaminados pelo crime — poderiam ser indevidamente atingidas por eventuais sanções americanas. Tanto Lima como Piquet lembram que a classificação de organizações e grupos de outros países como terroristas tem sido uma prática dos EUA e que se trata de uma decisão unilateral. Em 2021, o governo dos EUA – então sob o governo de Joe Biden – incluiu o PCC lista de alvos sob sanção do Tesouro dos EUA. Publicação do secretário Marco Rubio sobre a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas — Foto: Reprodução/X - Marco Rubio
Especialistas veem decisão dos EUA sobre facções como risco e oportunidade para o Brasil
Um aspecto positivo poderia ser uma intensificação da cooperação na área de inteligência e na área policial entre EUA e Brasil











