Um dos principais expoentes do combate ao Primeiro Comando da Capital no Brasil, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya avaliou com preocupação a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Para ele, a medida não contribui para fortalecer o enfrentamento às facções e pode trazer consequências econômicas e institucionais relevantes para o País.
Integrante do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo, Gakiya argumenta que as duas facções têm características típicas de organizações mafiosas, mas não se enquadram no conceito de terrorismo. Segundo o promotor, PCC e CV atuam com foco na obtenção de lucro por meio da dominação territorial, da exploração de mercados ilícitos e da lavagem de dinheiro.
“Essas organizações podem ser classificadas como mafiosas, mas não são organizações terroristas, porque não possuem motivação política ou mesmo motivação ideológica”, afirmou a CartaCapital. Na avaliação dele, os grupos criminosos não agem para promover causas políticas, religiosas ou identitárias, mas para expandir negócios ilegais, especialmente o tráfico internacional de cocaína.
Gakiya também chamou atenção para possíveis efeitos econômicos decorrentes da decisão americana. Segundo ele, a classificação pode ampliar o alcance de sanções financeiras não apenas contra integrantes das facções, mas também contra empresas e instituições que mantenham algum tipo de relação comercial com pessoas apontadas como ligadas aos grupos criminosos.










