Governo Trump classificou as facções como grupos terroristas, o que pode "gerar a possibilidade de realização de operações militares secretas sem a anuência do governo estrangeiro", disse o promotor O anúncio dos EUA classificando o PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas foi recebido com desconfiança pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e conhecido por ser um dos principais combatentes do PCC. Para Gakiya, a iniciativa do governo americano para atrapalhar mais o trabalho da Justiça e das polícias brasileiras do que enfraquecer o grupo criminoso. “Quando há essa classificação, o Departamento de Estado [americano] passa a tratar do tema como assunto de defesa e não mais como assunto de polícia. Portanto, quem passa a ter responsabilidade sobre isso é a CIA e os militares, saindo da esfera do FBI e da DEA [departamento anti-drogas], por exemplo. Pode gerar a possibilidade de realização de operações militares secretas sem a anuência do governo estrangeiro e até uma ação militar em território brasileiro nos moldes das que foram feitas no México e na Venezuela, o que pode implicar em riscos a soberania nacional brasileira”, comentou Gakiya ao Valor. “Na prática também, essa troca de informações diretas que já ocorrem entre a Polícia Federal e as polícias americanas ou entre os ministérios públicos e as polícias pode ser dificultada porque as informações passam a ser classificadas como confidenciais ou secretas e dificilmente poderiam ser compartilhadas com agilidade e facilidade como já ocorrem hoje”, complementa. Perguntado sobre a possibilidade do PCC ser enfraquecido a partir dessa iniciativa dos EUA, Gakiya se mostra descrente. “Não acredito”, disse. Promotor Lincoln Gakiya — Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados