A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas só vai prejudicar o combate ao crime organizado dentro do Brasil.
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, que atua no combate ao PCC há duas décadas, a classificação pode dificultar investigações e comprometer cooperações já em andamento entre as polícias e promotorias do Brasil e dos EUA no combate ao crime organizado.
Isso porque a medida tende a deslocar o tema do combate a essas organizações da esfera policial para o campo da defesa e da CIA, a agência de inteligência dos EUA que trata de segurança nacional e atua majoritariamente fora do país. Essa mudança, acredita Gakiya, tem podecial para reduzir a troca direta de informações hoje mantida entre autoridades brasileiras e agências como FBI e DEA.
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (28) que passarão a considerar as duas maiores facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. A medida entra em vigor em 5 de junho.
Jurado de morte pela facção paulista e responsável por algumas das mais importantes investigações sobre a atuação do grupo e suas operações de lavagem de dinheiro no mercado financeiro, Gakiya conta que há poucas semanas participou de reuniões em Boston, nos EUA, com integrantes do FBI e da DEA para troca de informações sobre membros do PCC que hoje estão em atividade em redes criminosas nos EUA.











