A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas gerou discussões sobre ganhos e perdas eleitorais —seja para Flávio Bolsonaro, que teria influenciado Donald Trump a tomar a decisão, seja para Lula. Mas sob a ótica da segurança pública, o problema vai além das duas facções: como não existe solução única, combater o crime exige compreender seus diferentes tipos.
Conhecer as evidências internacionais é indispensável para qualquer política pública bem desenhada. Contudo, antes de copiar Nova York, Medellín, El Salvador ou Chicago, é preciso perguntar se as características do crime enfrentado nesses lugares existem aqui e se temos condições institucionais para replicar a receita. O diagnóstico passa por duas perguntas: de onde vem o dinheiro do crime e qual é o nível de organização dos grupos envolvidos. Esse é o argumento do pesquisador Christopher Blattman em um relatório sobre crimes na América Latina.
Por exemplo, se o problema é uma sequência de furtos de celular em uma rua ou assaltos que se repetem nos mesmos horários e lugares, o policiamento de hotspots faz sentido. Às vezes, são crimes cometidos de forma impulsiva e por oportunidade. Para esses casos, programas que combinam terapia cognitivo-comportamental com transferência em dinheiro podem ser promissores. Esse foi o resultado obtido por Christopher Blattman, Julian Jamison e Margaret Sheridan em um experimento na Libéria.













