A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas abriu no Brasil um debate sobre soberania e sobre os limites entre crime organizado e terrorismo.

Para o pesquisador americano Michael Miklaucic, professor na Univesidade de Chicago, porém, a questão central pode ser outra: as duas categorias estão cada vez mais difíceis de separar.

Ex-integrante da Universidade de Defesa Nacional dos EUA, Miklaucic avalia que redes criminosas e grupos extremistas já compartilham cadeias logísticas, formas de financiamento e métodos de violência. E prevê uma convergência ainda maior. "Há uma grande probabilidade de que o terrorismo se torne um serviço contratado."

Um dos principais especialistas em crime organizado transnacional, ele considera improvável que a reclassificação resulte em ações militares americanas no Brasil. "A probabilidade disso é próxima de zero."

O desafio, porém, vai além da repressão criminal. Para Miklaucic, a expansão do crime organizado torna cada vez mais difícil distinguir onde termina a economia formal e onde começa a atuação das redes ilícitas. "Como impedimos a normalização do comportamento criminoso?", pergunta. "Existe uma zona cinzenta emergente que torna difícil determinar o que é legal e o que é ilegal."