Nos dois polos do espectro político veem-se reações inflamadas à decisão do governo de Donald Trump de classificar como terroristas as principais facções do crime organizado no Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O jogo eleitoral explica grande parte dos discursos hiperbólicos.
Para a direita adepta dessa e de outras bandeiras belicosas e populistas na segurança pública, trata-se do início de uma guerra implacável contra o narcotráfico —e, não menos importante, de uma medida associada ao encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro (PL) na antevéspera.
Para a esquerda liderada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), trata-se de ameaça à soberania e traição aos interesses pátrios maquinada pela família Bolsonaro —que, também nessa versão, acaba levando os créditos pela ofensiva trumpista.
Ela não vem de hoje, muito menos se limita ao Brasil. Do ano passado para cá, a Casa Branca já classificou como terroristas organizações criminosas do México e da Venezuela, entre outras com atuação nas Américas Central e do Sul. O intento de estender tal designação ao PCC e ao CV era conhecido havia meses e fazia parte das preocupações diplomáticas do governo Lula.
A estratégia americana se ampara em um erro conceitual. Pelos critérios mais aceitos do regramento internacional, o terrorismo se caracteriza, principalmente, por objetivos políticos e ideológicos —e, por mais que o PCC e o CV imponham seu jugo cruel sobre comunidades e se infiltrem na economia e no Estado, seu objetivo é assegurar os lucros do crime, não derrubar governos.











