Por outro lado, 74% discordam que governo ds EUA tenha o direito de combater integrantes dessas facções em território brasileiro Datafolha: 59% aprovam classificar PCC e CV como organizações terroristas — Foto: Aline Massuca/Reuters Quase 60% dos brasileiros manifestaram aprovação à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Por outro lado, 74% discordam que o país presidido por Donald Trump tenha direito de combater integrantes dessas facções em território brasileiro, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (23). Leia mais: O anúncio americano foi feito em 29 de maio, em iniciativa semelhante à adotada pelos EUA em outros países da América Latina e do Oriente Médio. A classificação entrou em vigor dia 5 e segundo especialistas poderia servir, por exemplo, de justificativa para o governo americano aplicar sanções econômicas contra o Brasil ou a empresas e pessoas que, no entendimento dos EUA, apoiem aquelas organizações. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu e disse que a medida é uma ameaça à soberania nacional. Segundo o Datafolha, 45% dos entrevistados responderam que concordam totalmente com a classificação das facções como terroristas e 14% que concordam em parte (o que totaliza 59% de apoio). Outros 22% disseram discordar totalmente e 11%, discordar em parte, o que resulta em 33% de desaprovação. Indecisos somaram 7% e 1% disse que nem discorda nem concorda. O instituto entrevistou 2.004 pessoas com idade acima de 16 anos em 139 municípios na semana passada, entre 17 e 18 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026. Influência de Flávio Bolsonaro e soberania O anúncio do governo americano ocorreu dois dias depois de o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, visitar Trump em Washington. Ao deixar a reunião, Flávio disse ter defendido que as facções fossem classificadas como organizações terroristas. Na ocasião, Lula, pré-candidato à reeleição, disse que seu governo tem adotado medidas de combate ao crime organizado e acusou Flávio de traição à pátria. O Datafolha perguntou a opinião dos brasileiros sobre o papel de Flávio no episódio. Para 54%, o senador teve influência na decisão dos EUA contra 30% que acham que não teve. Os indecisos foram 16%. No entanto, entre aqueles que consideram ter havido interferência, 57% disseram que a influência foi negativa para o Brasil e 37%, que foi positiva. Ainda de acordo com a pesquisa, há divisão entre o eleitorado a respeito das intenções do governo Trump com a medida. Ao todo, 50% concordaram, totalmente ou em parte, que os EUA querem combater as facções "para ajudar a população brasileira". Discordam dessa ideia 46% dos entrevistados. Também há empate técnico quando a pergunta é se o governo americano recorre à classificação como "desculpa para mandar no Brasil": 47% concordaram com essa afirmação (no todo ou em parte) e 48% discordaram. Mas há maioria consolidada quando o instituto pergunta se os EUA têm o direito de atacar membros das facções "dentro do Brasil sem avisar ao governo brasileiro". Nesse caso, 74% manifestam desaprovação a essa ideia. Concordam, no todo ou em parte, 22%. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês também abordou o tema e mostrou existir um temor de que eventuais punições impostas pelos EUA a empresas e pessoas ligadas a facções possam prejudicar bancos e companhias brasileiras. Do total de entrevistados, 53% disseram acreditar que essas punições vão prejudicar, enquanto 34% acham que não. Outros 13% não souberam ou não responderam. Ainda de acordo com o levantamento da Quaest, quando questionados sobre qual governo deve classificar as organizações criminosas como terroristas, 60% dos entrevistados responderam que deveria ser o brasileiro.