Eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e evangélicos estão entre os grupos que mais apoiam a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 17 e 18 de junho. De acordo com o levantamento, 81% dos entrevistados que votaram em Bolsonaro em 2022 concordam com a medida anunciada pelo presidente americano Donald Trump. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o percentual cai para 38%. O apoio também é mais elevado entre evangélicos. Nesse grupo, 70% concordam com a classificação das facções como organizações terroristas, ante 56% entre os católicos. A pesquisa mostra ainda que a concordância é maior entre pessoas de 16 a 44 anos, faixa em que o índice chega a 65%, e entre entrevistados com ensino superior, grupo no qual alcança 64%. Em maio, os Estados Unidos decidiram classificar as facções como organizações terroristas. A partir da classificação, todas as propriedades dos alvos que estejam nos EUA são bloqueadas. Americanos ou pessoas dentro do país ficam proibidas de fazer "qualquer transação ou negociação (...) envolvendo bens ou interesses em bens bloqueados". O anúncio de Washington foi feito após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) retornar de viagem aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente Donald Trump e integrantes da cúpula do governo americano. Em março, o jornal americano The New York Times afirmou que Flávio e seu irmão Eduardo pressionavam os EUA a adotarem a designação. Com isso, a pré-campanha ao Planalto do senador, que vinha sendo consumida pelos desdobramentos da crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, reforçou o discurso pró-segurança e contra a criminalidade para conter desgastes internos e eleitorais. O governo Lula tentou evitar a classificação, sem sucesso, e retomou o mote da defesa da soberania nacional ao reagir à decisão da gestão Trump. O caso elevou o embate de governistas com a família Bolsonaro, adversária eleitoral, a quem o atual presidente do Brasil acusou de "traição" à pátria por ter apelado pela medida, que poderia afetar interesses econômicos e deixar o país vulnerável a tentativas de intervenção estrangeira. Diferenças também aparecem entre homens e mulheres A pesquisa identificou diferenças relevantes entre homens e mulheres tanto no apoio à medida quanto no grau de conhecimento sobre o tema. Entre os homens, 53% afirmaram concordar totalmente com a classificação das facções como organizações terroristas. Entre as mulheres, esse percentual é de 38%. A familiaridade com o assunto também é maior entre os homens. Segundo o levantamento, 47% disseram estar bem informados sobre a decisão dos Estados Unidos, contra 25% das mulheres. No total, 83% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento da medida anunciada por Trump no fim de maio e colocada em prática no início de junho. Nordeste registra menor apoio Regionalmente, os índices de concordância variam entre 60% e 64% no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, dentro da margem de erro. O Nordeste registrou o menor percentual de apoio à medida, com 53% dos entrevistados favoráveis à classificação das facções como organizações terroristas. No conjunto da população, 59% concordam com a decisão dos Estados Unidos, enquanto 33% discordam. Outros 7% disseram não saber opinar e 1% afirmou não ter opinião sobre o tema. O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro da amostra total é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, mas varia conforme os recortes populacionais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.
Datafolha: evangélicos e eleitores de Bolsonaro lideram apoio à decisão dos EUA de classificar PCC e CV como organizações terroristas
Entre os bolsonaristas, 81% concordam com a medida adotada pelos Estados Unidos; entre evangélicos, índice chega a 70%








