Ele foi baleado pela Polícia Militar aos 18 anos, durante um protesto num restaurante no Rio de Janeiro, em março de 1968. Muito se falou sobre sua morte, mas quase nada sobre a sua vida. Pivô da Passeata dos Cem Mil em junho daquele ano, durante o regime militar, Edson Luís de Lima Souto, numa família humilde vinda do Pará, se tornou mártir da noite para o dia.
"Quando a gente conversa sobre ditadura militar no Brasil, há sempre um recorte de classe que os livros de história fazem, um recorte da alta classe, com Stuart Angel Jones, Vladimir Herzog, Rubens Paiva. Eu acho que a história de Edson abre portas para falar de outras realidades", afirma o ator Matheus Macena.
A vida desse rapaz, ainda desconhecido para muitos brasileiros, é o centro de "Edson", primeira peça de Macena como diretor, dramaturgo e protagonista. Em cartaz no Sesc Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, até o fim desta semana, a obra nasceu de "um desejo impetuoso de trazer o assassinato desse estudante como um mito fundante da luta contra o racismo da ditadura militar".
No início do espetáculo, Macena quebra a quarta parede e conversa com a plateia. Em tom bem-humorado, ele faz uma relação de fatos ligados ao mês de março —opondo, por exemplo, os aniversários do cantor Renato Russo e do ex-presidente Jair Bolsonaro.















