Em 22 de agosto de 1976, a notícia circulada na imprensa 15 dias antes tornara-se verdade: Juscelino Kubitschek morto em acidente de trânsito no percurso Rio-São Paulo.

O Brasil mobilizou-se para honrar o presidente, em manifestação gigantesca, destravando um nó na garganta que durava mais de uma década: a repulsa pela ditadura, sua violência, sua corrupção, sua prepotência, sua incompetência. Acima de tudo, sua pretensão em subtrair ao povo brasileiro a capacidade de decidir o próprio destino. Viver o luto pelo querido e sorridente JK significou abraçar, uma vez mais, a causa da democracia contra o autoritarismo, das luzes contra a escuridão.

A ditadura gestou sua morte durante muito tempo: desde 1955, os golpistas que tentaram impedir sua posse ou seu governo queriam-no silenciado, humilhado. Em 1968, o líder da revolta de Aragarças de uma década antes, o Brigadeiro João Paulo Burnier (um dos assassinos de Rubens Paiva), organizou dentro da Aeronáutica um esquadrão da morte para assassinar Juscelino, entre outros, e foi impedido pelo bravo Capitão Sérgio Carvalho.

Em 1972, a “cultura de morte a JK” levou a negarem pouso à aeronave, em pane, em que viajava, empurrando-o para um quase certo “acidente”. Em 1975, Figueiredo e Contreras, chefes das polícias de informação das ditaduras brasileira e chilena, combinam de assassinar adversários, dentre os quais Letelier e Kubitsckek.