O presidente Juscelino Kubitschek perdeu a vida num desastre de carro na Via Dutra, município de Resende (RJ), em 1976, durante a ditadura militar. O resultado da perícia, conduzida por autoridades da época, concluiu que JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram num acidente de trânsito.

No início, culparam o motorista Josias Nunes de Oliveira, homem negro, que dirigia um ônibus da Viação Cometa. Ele teria sido o responsável pela batida contra o Opala em que estava JK, o que teria lançado o automóvel na pista da contramão e provocado a colisão com um caminhão que vinha em sentido contrário.

Depois ficou provado que o ônibus não abalroou o veículo de JK e seu motorista foi inocentado, mas a versão do "acidente" perdurou até hoje.Em 1996, após a morte de dona Sarah Kubitschek, pressionada enquanto viveu a não pedir uma investigação séria sobre a morte do marido, Serafim Jardim, que fora secretário-particular de JK, solicitou a reabertura do caso. Mas o reexame chegou à mesma conclusão, a de que houve um "acidente".

Ficou a dúvida sobre a versão do regime militar. Muitos acreditavam num atentado político contra JK. Ele fora perseguido, cassado e exilado. À época de sua morte, articulava nova candidatura à Presidência da República, mesmo que tivesse de enfrentar eleição indireta, pelo Colégio Eleitoral, em 1978. Aliado a João Goulart e Carlos Lacerda, havia criado a Frente Ampla. Os militares o temiam.