O motorista aposentado Josias Nunes de Oliveira morreu nesta terça-feira 16, em Indaiatuba, no interior de São Paulo, aos 82 anos, sem nunca ter recebido o perdão do Estado brasileiro pela falsa acusação montada pela ditadura militar de que o ônibus que dirigia bateu no Opala do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 22 de agosto de 1976, que seguia pela Via Dutra em direção ao Rio de Janeiro, causando o acidente fatal.
Apesar de ter sido absolvido pela Justiça em 1978, Josias viveu atormentado pelos quase 50 anos seguintes, com problemas de saúde mental. Josias foi sepultado no final da tarde de ontem, no Cemitério Parque dos Indaiás, em Indaiatuba.
Desde maio, a Agência Pública tentava agendar uma entrevista com Josias. No início deste mês, a reportagem trocou mensagens com o pastor Jayme Nunes de Oliveira Júnior, sobrinho do motorista, que, em nome da família, disse que não intermediaria contato com o motorista aposentado. “Toda vez que falam de JK, meu tio piora”, disse ele. Júnior é filho de Jayme Nunes de Oliveira, irmão mais velho de Josias e responsável por ele, que foi diagnosticado com transtorno bipolar, segundo a família.
Jayme Júnior disse que o tio viveu todos esses anos atormentado pelas memórias do caso e pela acusação contra ele. Em virtude disso, separou-se da mulher e isolou-se dos filhos. Ele apresentava episódios em que se tornava agressivo, apesar de ser uma pessoa normalmente tranquila. A morte de uma filha teria agravado o quadro. O sobrinho contou, por exemplo, que o tio uma vez sumiu em São Paulo e que a família levou dias para encontrá-lo.







