"Há um fuzilado que vive." A frase, que soa paradoxal, causou um enorme impacto ao escritor Rodolfo Walsh (1927–1977) , que a escutou de forma casual num bar de La Plata, em 1956.
Walsh, jornalista e militante de esquerda, conhecia bem os métodos da chamada Revolução Libertadora, o golpe de Estado que havia destituído Juan Domingo Perón no ano anterior.
Naquele momento, ele ainda não sabia que aquela frase daria origem a um dos livros mais importantes da literatura e do jornalismo latino-americanos.
O período inaugurado pelo golpe militar de 1955 foi um prelúdio da violência política que marcaria a Argentina nas décadas seguintes e da qual não apenas Walsh, mas também sua filha Vicky, seriam vítimas.
Intrigado, o escritor decidiu investigar o que escutou. Logo descobriu um drama que sintetizava uma época. Na noite de 9 de junho de 1956, 12 militantes peronistas haviam se reunido numa casa no norte da periferia de Buenos Aires para ouvir, pelo rádio, uma luta de boxe —uma paixão dos argentinos.











