É um ambiente conflagrado em que as pessoas têm dificuldade de se entender e levantam armas em vez de argumentos. O assunto de Rui Tavares, historiador e deputado português que falou neste domingo na Feira do Livro, em São Paulo, não serve em nada para descrever a mesa em si, uma conversa clara e sofisticada com o jornalista Marcos Augusto Gonçalves.

Na mesa da programação Folha na Praça, o colunista do jornal conversou com o editor da Ilustríssima sobre o estado do debate político hoje, a inteligência artificial e a história das guerras culturais —vindas de um homem que, ao ouvir a expressão "aldeia global", pensa muito mais na sua aldeia do que no globo.

"Cresci numa aldeia em que praticamente todos eram primos. E lá tinham as figuras do louco, do bêbado, da beata da aldeia. E consigo hoje olhar para a arena política e pensar, por exemplo, que aquela pessoa está fazendo o mesmo papel do louco da minha aldeia."

A fala reflete o espírito descontraído pelo qual Tavares se expressa. Para ele, político de esquerda que ocupa uma cadeira no Parlamento português, tão importante quanto escolher um bom "objeto de desejo" para engajar eleitores é desviar de temas improdutivos.

O autor de "Hipocritões e Oligarcas", novo livro da Tinta-da-China Brasil, se lembra de uma polêmica em torno do "burkini" nas praias europeias, expressão que designava roupas de banho adaptadas à cultura islâmica.