PUBLICIDADE Fórum organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), terminou na última quarta-feira, e reuniu juristas, economistas e políticos, da América Latina e Europa O americano Thomas L. Friedman criticou o papel das redes sociais no Fórum de Lisboa — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 22:21 Especialista critica redes sociais e destaca cooperação global para IA Em um fórum organizado por Gilmar Mendes, o jornalista vencedor do Pulitzer, Thomas L. Friedman, criticou as redes sociais por minarem a confiança e a verdade, essenciais para a democracia. Friedman destacou a necessidade de colaboração entre EUA e China em legislações para IA. O economista Joel Mokyr enfatizou a importância da confiança nas instituições para o progresso econômico. Além disso, o Ministro português Luís Neves abordou desafios como fake news e crimes cibernéticos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Vencedor de três prêmios Pulitzer, o mais importante do jornalismo mundial, o americano Thomas L. Friedman criticou o papel das redes sociais que, na sua visão, contribuem para os ataques à confiança e à verdade — pilares fundamentais das democracias. Para o colunista de política internacional do New York Times, as plataformas contribuem para descredibilizar as instituições ao permitirem a relativização da informação checada e verdadeira e, assim, se tornam ambientes que intensificam a polarização extrema. — As redes sociais são inimigas da verdade e da confiança. O modelo de negócio deles não é te informar, é te provocar — afirmou Friedman, em aula magna durante o XIV Fórum de Lisboa, promovido pelo IDP, pelo Lisbon Public Law (LPL) e pela FGV Justiça. — A democracia assenta na verdade e na confiança. Sem elas não conseguimos resolver problemas. O fórum, organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), terminou na última quarta-feira, e reuniu juristas, economistas e políticos, da América Latina e Europa. O evento, que nos últimos anos foi alvo de críticas pela presença de autoridades dos três Poderes e pelos patrocínios, discutiu temas que vão da inteligência artificial e big techs a política internacional e futuro da ciência. Sobre IA, Friedman costuma usar a expressão “segundo Big Bang” para definir a ruptura que o homem experimenta. — O homem criou a inteligência artificial que supera a capacidade do cérebro humano, alterou o clima, criou o ciberespaço como uma nova galáxia, dividiu o átomo, que pode destruir o mundo, inventou a aprendizagem profunda e aproxima-se do momento em que terá computação quântica, fusão energética e IA em simultâneo — elencou o jornalista, que defendeu colaboração entre EUA e China para criar legislações. — Ou aprendemos a colaborar com ela, ou seremos o seu animal de estimação. A única maneira de lidarmos com a IA é se ambos países construírem legislação e ética em conjunto. Se não o fizerem, haverá um problema sério com os dados e com quem os detém. Vencedor do Nobel Avanço tecnológico aliado a instituições confiáveis também permeou a aula magna do economista Joel Mokyr, professor da Northwestern University e vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas em 2025. Ao analisar os fatores que historicamente sustentam o crescimento econômico dos países, Mokyr destacou que prosperidade depende da combinação desses dois fatores. Segundo ele, a incorporação tecnológica depende da confiança nas instituições, pois garante que as informações produzidas e repassadas são fidedignas. Mokyr ressaltou ainda o papel da ciência como motor da inovação e alertou para ameaças democráticas promovidas pelo populismo e pela xenofobia, muitas vezes baseados em desinformação e preconceito, que comprometem o ciclo de inovação. Por isso, o fortalecimento das instituições é essencial para a preservação da democracia, disse. — É provável que a política populista jogue fora o progresso junto com o elitismo, e geralmente o substitua por uma elite muito pior. Uma das maneiras pelas quais a tecnologia e a ciência avançam é por meio da migração de pessoas para os lugares onde elas podem ser mais produtivas — afirmou o economista, que deu o exemplo do Vale do Silício, nos EUA, onde imigrantes têm desempenho acima da média. A xenofobia também foi tema da fala de Luis Neves, Ministro da Administração Interna de Portugal, que colocou a massificação das fake news, os crimes de ódio e o populismo como os “grandes focos de ameaça à nossa forma de vida”, baseada no respeito pela diversidade. — Há uma deturpação ocorrida nos últimos anos, principalmente no período pós-pandemia, e que ainda não encontramos o antídoto para combater. Essa é uma área onde se alavancam caminhos do populismo, sustentado na massificação de fake news — disse. Combate à fake news O ministro, em discurso na última quarta-feira, elogiou as ações brasileiras de combate às fake news, que são os instrumentos do discurso de ódio, frisou. — Sei que o Brasil tem feito um grande percurso nessa temática, de redução curta e rápida daquilo que é esse tipo de comunicação. Ex-diretor da Polícia Judiciária de Portugal, Neves também falou de tecnologia sob o ponto de vista da segurança pública. Ele cobrou maior equilíbrio entre o direito à privacidade e as investigação de crimes cibernéticos, como pornografia infantil. Segundo o ministro, o lobby das big techs impede o acesso a conversas encriptadas — Parece que há permanente vigilância sobre a privacidade (por parte do estado), e isso é absolutamente falso. Apenas uma pequeníssima parte de telefones podem ser interceptados, se houver suspeita de crime grave, com crivo do juiz — disse Luís Neves, que se queixou ao Parlamento Europeu sobre a impossibilidade de se acessar os metadados das redes sociais. — Só há liberdade se houver segurança e só há segurança se cada um de nós estiver disposto a abdicar muito pouco da nossa privacidade. É a única forma de termos esse equilíbrio.
'Redes sociais são inimigas da verdade e da confiança', diz vencedor do Pulitzer
Fórum organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), terminou na última quarta-feira, e reuniu juristas, economistas e políticos, da América Latina e Europa












