De todas as reações ao manifesto do papa Leão 14 sobre inteligência artificial, desde seus admiradores do humanismo liberal até seus críticos que acreditam em consciência digital, uma das mais notáveis é a decepção dos céticos da IA que acham que o sumo pontífice passou longe de ser incisivo o suficiente.

Escrevendo na revista Compact, Greg Conti, da Universidade Princeton, responde à descrição do papa sobre os perigos da era da IA perguntando: "Precisamos mesmo já ter essa era declarada?" Não poderia um papa, em vez disso, convocar "uma era de resistência à IA?"

Na The Hedgehog Review, o crítico cultural Anton Barba-Kay comenta que abordar a IA como uma "ferramenta valiosa que requer vigilância", nas palavras de Leão 14, é como dizer que "a cocaína pode ser uma droga valiosa que deve ser cheirada com uma pitada de ceticismo".

Minha própria reação à intervenção papal tinha algo em comum com esses críticos. Achei que Leão 14 poderia ter ido mais fundo na pura estranheza da IA, na natureza de seu desafio ao excepcionalismo humano, na razão pela qual ela gera tantos impulsos messiânicos e medos apocalípticos.

Mas não acho que um chamado papal para resistência massiva a uma era de IA teria sido adequado às condições de 2026. Parece ao mesmo tempo tarde demais e cedo demais para essa mensagem.