As implicações da inteligência artificial para a religião têm recebido, até agora, um pouco menos de atenção do que suas implicações para o mercado de trabalho ou para a corrida armamentista entre Estados Unidos e China.

Mas enquanto aguardamos a palavra definitiva sobre o assunto —ou seja, é claro, a encíclica sobre IA que o papa Leão 14 supostamente lançará em breve— vale a pena fazer previsões sobre o futuro religioso sob as condições da inteligência artificial.

Em uma linha do tempo possível, o advento da IA é amplamente entendido como uma vitória para o ateísmo e um golpe contra as ideias religiosas de alma e espírito, persuadindo mais pessoas de que suas próprias mentes são apenas computadores —sem centelha divina ou alma imortal, apenas o equivalente de carne e osso de um chatbot prestativo ou de um terapeuta de IA.

Em outro futuro potencial, o mistério da consciência acaba parecendo mais profundo à sombra da inteligência de máquina, o místico encontra novo apelo como uma forma de experiência que os computadores não conseguem emular, e a religião se torna um lugar para os excepcionalistas humanos fincarem uma bandeira desafiadora.

Mas entre esses dois cenários há um futuro em que a IA aumenta principalmente a incerteza metafísica, deixando muitas pessoas simplesmente inquietas sobre questões fundamentais, cada vez mais "misterianas" em vez de claramente ateias ou devotas.