Opinião, sabemos, cada um tem a sua. Não significa, porém, que o jornal possa passar por elas imperturbado. Dois casos recentes ilustram tensões no relato do que diz (e não diz) quem participa do debate público.

No último dia 4, o cientista político norte-americano Norman Finkelstein esteve na Feira do Livro, em São Paulo, em "mesa lotada e com segurança reforçada", de acordo com título da Folha. Se o enunciado era relatorial, a chamada no site do jornal escolhia um trecho mais polêmico sobre israelenses: "O problema não é o regime, não é o governo, é toda a sociedade que enlouqueceu e todos se tornaram genocidas maníacos". "O ódio sobre o que está acontecendo em Gaza, segundo ele, não é antissemitismo porque é justificado", dizia o texto.

"Independentemente das opiniões que cada pessoa possa ter sobre o governo israelense, atribuir a uma sociedade inteira características morais degradantes e criminosas é uma forma clássica de preconceito coletivo. Trata-se da demonização de um povo", afirmou a jornalista Nira Worcman, 63. Para ela, deveria haver "contextualização crítica".

"A Folha tem dado palco para antissemitas disfarçados de 'antissionistas’, forma contemporânea desse ódio", escreveu Marcelo WS, 47, para quem o jornal "usa um judeu para justificar ódio contra judeus". Finkelstein é filho de sobreviventes do Holocausto.