0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Milhares de pessoas protestam contra antissemitismo em Paris — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 21:14 Aumento do Antissemitismo no Brasil Ameaça Democracia e Minorias O artigo aborda a preocupante deterioração democrática evidenciada pelo aumento do antissemitismo e antissionismo, destacando a autocensura dos judeus em expressar sua identidade. Criticar políticas israelenses é legítimo, mas ultrapassa-se o limite quando nega-se a existência de Israel ou banaliza-se o Holocausto, configurando discriminação. Dados da Conib mostram que 70,8% dos discursos de ódio são impulsionados pelo antissionismo, com um crescimento alarmante de denúncias e subnotificação. O artigo alerta que normalizar esse cenário é perigoso para a democracia e para a segurança das minorias. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Há um sinal silencioso de deterioração democrática. No Brasil e no mundo, judeus evitam expor símbolos, mencionar Israel ou simplesmente expressar sua identidade. É medo, baseado em agressões reais, o que representa grave falha da própria democracia, e não um problema comunitário. Praticar, induzir ou incitar discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional é crime, agravado no ambiente digital. A liberdade de expressão protege a crítica, inclusive as políticas de governos estrangeiros. Questionar Israel, suas ações militares, políticas de ocupação, suas decisões de governo, é direito assegurado, da mesma forma que qualquer outro país pode ser contestado no debate público. Tais discussões ocorrem ferozmente mesmo em Israel, única democracia do Oriente Médio. O limite é ultrapassado quando a crítica deixa de ser política e passa a atacar a própria existência de um povo ou o direito de um país existir. Quando símbolos nazistas são banalizados, quando o Holocausto é instrumentalizado ou quando se nega ao judeu o direito à autodeterminação, não se trata mais de liberdade de expressão, e sim de discriminação. A comparação entre Israel e o nazismo ilustra esse desvio com precisão. Distorce a História e inverte papéis, transformando vítimas em algozes. O regime de Adolf Hitler tinha como objetivo o genocídio dos judeus, com escala e métodos historicamente singulares. Os conflitos atuais, embora com trágicas vítimas civis, têm como objetivo neutralizar terroristas e envolvem a defesa contra quem busca a sua aniquilação. Projetar sobre o Estado judeu a imagem do mal absoluto é violência moral e configura antissemitismo. O mesmo raciocínio se aplica quando se nega a autodeterminação judaica. Assim como qualquer povo, os judeus têm direito a um Estado, princípio reconhecido internacionalmente. Questionar exclusivamente esse direito configura padrão duplo de discriminação. O ódio se reinventa em linguagens envernizadas para tentar buscar legitimidade. Expressões como “Do rio ao mar” são antissemitas, pois carregam conotação de eliminação de Israel. Apoiar o Hamas, igualmente. Discriminar israelenses no Brasil com base em sua origem nacional é crime. Mas criticar ações militares ou o número de vítimas civis é legítimo e protegido pela liberdade de expressão. O perigo cresce quando o conflito externo é importado para a política doméstica, gerando responsabilização coletiva de judeus brasileiros por decisões que não tomaram. O Caso Ellwanger é um marco na delimitação desses limites. Negar ou banalizar o Holocausto configura crime, assim como pregar a restauração da doutrina nazista. A liberdade de expressão não protege manifestações que promovam ódio ou intolerância. Dados da Conib sobre antissemitismo em 2025 reforçam a gravidade: 70,8% deles envolvem o antissionismo como vetor do discurso de ódio. No ambiente digital, foram quase 116 mil menções antissemitas, com alcance potencial de 66 milhões de pessoas. Em 2025, registraram-se quase três denúncias diárias, crescimento de 149% desde 2022, com subnotificação elevada (apenas 32,58% dos episódios são reportados). Chamar esse cenário de “novo normal” é naturalizar o problema. É um alerta crítico. A situação atual produz medo real e autocensura: judeus passam a temer que sua identidade seja motivo de ataques no trabalho, nas universidades, nas escolas. O verdadeiro efeito de silenciamento não decorre da proteção jurídica contra o ódio, mas de sua normalização. O mais nocivo não é a crítica, que deve ser livre e protegida, mas o avanço do antissemitismo travestido de discurso político. O antissemitismo é o termômetro da democracia. Quando a minoria judaica é atacada, as demais também estão em risco. Sempre que um grupo é desumanizado, a sociedade regride. *Rony Vainzof, advogado, é secretário da Confederação Israelita do Brasil (Conib)